26/01/2015 - 11h30 - Atualizado em 26/01/2015 - 11h33

Com eletrônica, ou sem ela, os melhores vencerão sempre

O tricampeão do Mundo de 500cc revelou o seu ponto de vista

Fonte: Assessoria MotoGP

Na segunda parte da entrevista de fundo com Wayne Rainey, a MotoGP™ Legend diz ao motogp.com o que pensa das participações do Campeão do Mundo Marc Márquez e rivais, além de comentar o papel da eletrônica nos Grandes Prêmios.

O tricampeão do Mundo de 500cc revelou o seu ponto de vista sobre o panorama atual do MotoGP™, começando pelo que pensa sobre os fortes resultados do detentor da coroa da categoria rainha, Márquez, ao longo das duas últimas temporadas; precisamente os dois anos em que o piloto da Repsol Honda conquistou o título de MotoGP™ por duas vezes…



O que pensas das participações do Márquez desde que ele entrou para o MotoGP™?

“Creio que o que é muito claro sobre o Márquez é que ele parece ter muita paixão e adora correr. Ele adora lutar e quer outras corridas para responder aos resultados menos satisfatóros. Isto porque, quando competindo tens uma grande luta com os teus rivais, por isso que quando ganha, ou perde, adoramos essa luta. É por isso que fazemos, é mais do que apenas vencer a corrida.”

“Trabalhas arduamente e pensas em tentar não cometer erros e em que sítios é que podes passar os outros pilotos, ou se podes ser mais rápido. Pensar na estratégia e naquilo que a tua máquina está te dizendo, pensa no perfil que te está tentando alcançar, ou em quem você está tentando alcançar. São muitas emoções e uma das melhores que podes ter é cruzar a linha de chegada à frente do seu rival. É para isso que fazemos todo o trabalho de preparação durante a semana. Quando andamos pelo paddock queremos sempre pensar que somos o melhor e a única forma de o saber é pelos nossos resultados. Neste momento, o Márquez tem os melhores resultados.”

Ficaste surpreso com a melhora dos resultados do Valentino Rossi em 2014?

“Não estou nada surpreso com o Valentino neste momento da carreira dele. Recordo-me de como me sentia quando tinha 22 ou 26 anos em comparação com os 31 ou 32, ou com a idade do Valentino. O que ele tem é experiência, sabe o que é importante e o que não é. Quando se é jovem e se coloca o capacete quere sempre ser o mais rápido. Quando se é mais velho, como um bom vinho, sabes onde tens de ser rápido, onde tens de andar mais depressa e onde não é importante fazê-lo. Creio que o Valentino compreende isso.”

Do outro lado da garagem da Movistar Yamaha MotoGP o Jorge Lorenzo também lutou por vitórias com regularidade no final de 2014. O que achas dos seus resultados mais recentes?

“É diferente quando se é piloto e  se está no topo de nossa profissão e depois aparece alguém novo e este tipo pode ser uma grande ameaça. Em 2013 o Jorge faturou a clavícula e mesmo assim quase ganhou o Campeonato. Penso que o Jorge usou muita energia nessa altura e depois acabou por não ganhar o título. Talvez pensasse que em 2014 seria mais fácil, mas acabou por não resultar para ele. A realidade para o Jorge é que o Márquez está aqui para ficar. Ele é real, é popular, é corajoso e adora lutar. Mas também sei que o Lorenzo é o mesmo tipo. Sei que ele também pode fazer isto. Não tenho a certeza que o Jorge tenha acreditado nisso no ano passado, mas sinto que ele sabe que este ano tem de se concentrar no Márquez. Julgo que vamos ver um Lorenzo diferente este ano, creio que vai estar mais consistente e a mente dele deverá estar mais preparada para a batalha. isto vem com a idade.”

Achas que o Dani Pedrosa vai ser um candidato ao título em 2015?

“Penso no passado, o Dani pode ser muito forte e depois em algumas corridas não é tanto. Acho que o ponto fraco do Dani tem sido a consistência geral no campeonato. Quando tem de terminar em segundo, termina em quarto. Ele está a ser comparado ao Márquez e julgo que há aí alguma diferença. Mas neste momento o Dani está ficando mais velho, pelo que acredito está ficando sem oportunidades para bater este tipo. O Pedrosa me faz lembrar muito o Luca Cadalora. Em dias melhores, era imbatível. Depois tinha dias em que era o inverso. É isto gera consistência. Quando os tipos bons têm um mau dia terminam em segundo.”

E a decisão do Jack Miller passar diretamente da Moto3™ para o MotoGP™?

“É um bom espírito para o campeonato e é bom para a Austrália ter lá um perfil destes. É um grande talento e é interessante. Penso que se ajustar à moto de forma a que não lhe seja difícil pilotar, pelo que desejo é que se dê bem. Por vezes a moto ainda é dona do piloto e neste caso ele vai pilotar contra os melhores do mundo em motos muito potentes. Mas penso que se dará bem. O Márquez desenvolveu-se muito depressa. Mas como podemos ver, os pilotos, os mais jovens, os que não têm experiência, continuam a cometer erros. Julgo que ele vai cometer alguns erros, mas ele pensa nas coisas.”

O que julgas do atual pacote de eletrônico usado pelas equipes no MotoGP™?

“Julgo que estas motos têm algum conjunto de poder eletrônico nelas porque são muito fortes. Mas preferia menos. Sei que a eletrônica faz coisas impressionantes para ajudar os pilotos a obterem bons resultados, mas para mim o piloto deve continuar tendo uma palavra para ajudar. Uma coisa que nunca mudará é que os melhores pilotos vão continuar a vencer e estar sempre no topo. O que tem sido muito bom com esta eletrônica é que agora temos menos pilotos a serem cuspidos das motos, quedas que são sempre muito dolorosas.”

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Classificação,

    PILOTO PONTUAÇÃO
    1 Marc Marquez 129
    2 Maverick Viñales 124
    3 Andrea Dovizioso 123
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esportes,19 Nov