02/05/2017 - 15h08 - Atualizado em 02/05/2017 - 15h08

Franco Morbidelli, o herdeiro definitivo de Valentino Rossi?

Piloto ítalo-brasileiro venceu as três primeiras corridas de 2017

Nacho González - motociclismo.es

 

Ele é o piloto mais brilhante entre os alunos do "Doutor"

Franco Morbidelli não é o novo Valentino Rossi. Nunca haverá um novo Valentino Rossi. Valentino Rossi é único, e qualquer tentativa de réplica vai cair por seu próprio peso. Não há nenhuma necessidade de uma nova versão do piloto mais premiado do motociclismo moderno. O que a Itália precisa é de um herdeiro, porque – por mais que se esforçem para adiar, um dia ele vai se aposentar.

Durante muitos, muitíssimos anos, a Itália apreciou os sucessos de Valentino Rossi sem pensar sobre o que viria além. Além disso, pilotos como Marco Melandri, Andrea Dovizioso, ou o saudoso Marco Simoncelli acompanharam com outros títulos os feitos de seu "Doutor" mais internacional.

Mas ao mesmo tempo a Itália vive a pior seca da sua história.  Em 1966, Giacomo Agostini conseguiu seu primeiro título de 500cc, seis anos após os últimos títulos de Carlo Ubbiali nas 125cc e 250cc. Ou seja, a Itália passou cinco anos sem um único título mundial.

Em 2015, esta marca negativa foi igualada, e agora já são sete anos em branco desde 2009, quando Rossi se impôs na MotoGP, com o último dos seus nove títulos. Por isso a necessidade deste herdeiro tornou-se urgente.

E como um bom doutor, Rossi também trabalha as urgências. Isso foi demonstrado situando-se como o líder da MotoGP ano e meio depois, quando todos já voltavam a enterrá-lo; e tem evidenciado nos últimos anos, encarregando-se pessoalmente de canalizar a importância do futuro através da Academia de pilotos VR46, dando a seus alunos um grupo de trabalho para treinar, aprender e se realimentar.

Um grupo de trabalho que vai desde a base, estabelecida no FIM CEV da Repsol – onde Nicolò Bulega já lhe deu seu primeiro mundial, embora junior- e cujo tronco situa-se no Mundial de Moto3, ramificando-se na Moto2, onde ele já tem cinco pilotos: Luca Marini, Stefano Manzi, Pecco Bagnaia, Lorenzo Baldassarri e, acima de tudo, Franco Morbidelli.

Campeão Europeu de Superstock 600 em 2013, quando tinha apenas de 18 anos de idade, nessa mesma temporada estreou na Moto2, executando três corridas com a Gresini, em substituição do indonésio Doni Tata Pradita; O que chamou a atenção da Italtrans, que o contratou para a temporada completa em 2014. 'Franky' minimizou o período de adaptação, e no final da temporada se tornou um regular dos top 10, começando 2015 mirando nos  top 5 e alcançando seu primeiro pódio em Indianápolis.

Uma fratura de tíbia e fíbula quando praticava motocross o fez perder quatro provas, terminando o ano em décimo e contratado pela Estrella Galicia 0.0 Marc VDS para 2016. Embora ele tenha estado muito perto do pódio em Jerez e Le Mans, não estourou o champanhe até a oitava corrida em Assen.A partir de lá, nas onze provas entre a mencionada em Assen e a última no Ricardo Tormo, acrescentou oito pódios, os últimos cinco de forma consecutiva.

Mas não havia ganhado. Com efeito, a primeira vitória na Moto2 para um aluno de Rossi ficou a cargo de sua outra grande esperança a curto prazo na categoria: Lorenzo Baldassarri, que se impôs em Misano em um dos seus dois pódios na temporada. Daí, com a subida de Johann Zarco, Álex Rins, Sam Lowes e Jonas Folger para a MotoGP, favoritismo caiu sobre Morbidelli, mas com as reservas compreensíveis por nunca ter vencido.

O ítalo-brasileiro disspou as dúvidas vencendo de forma inegável no Catar e confirmando a sua candidatura ao título. Confirmou sua superioridade na Argentina, onde não hesitou quando seu parceiro Álex Marquez tentou ultrapassá-lo; e em Austin, ele assinou um magistral "hat-trick" de início, proeza  que a categoria intermédia não via há 16 anos, quando o fez Daijiro Kato nas 250cc.

Um pouco mais de uma hora mais tarde, Valentino Rossi completou um dia redondo para Itália – que tinha começado com o seu antigo aluno Romano Fenati - assumindo a liderança da MotoGP ao ser  segundo atrás de Marc Marquez. Uma liderança que o faz sonhar com o décimo título, mas consciente de que será muito difícil se manter até o fim.

Parece muito mais viável a opção que, aos 22 anos, Franco Morbidelli se converta em  campeão do mundo de Moto2 antes de dar o salto para a MotoGP - bem perto  da moto que agora leva o espanhol Tito Rabat -, o que acabar ia  de uma vez por todas com a pior seca da história da Itália no Mundilal de Motovelocidade.

Se conseguir, ele se confirmará como o destaque que a Itália precisa. Ou seja, como herdeiro definitivo de Valentino Rossi.

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