02/01/2013 - 14h24 - Atualizado em 03/01/2013 - 14h25

"A moto é um vício que eu não quero deixar." Conheça Janaina Todeschini

Com muito talento, jovem piloto catarinense faz sucesso no motocross gaúcho.

Zuun,motorcycles

A presença das mulheres é cada vez maior dentro do MotoCross gaúcho. Algumas competições regionais possuem até uma categoria exclusivamente feminina. A piloto catarinense Janaina Todeschini  “migrou” para o Rio Grande do Sul, devido ao número expressivo de meninas competindo nos Pampas. A jovem possui uma ligação quase que sanguínea com a motocicleta e é uma verdadeira apaixonada pelo o que faz. Confira a entrevista com uma das promessas do MotoCross brasileiro.

A ligação de Janaina com a motocicleta vem de berço. Foto: Divulgação Zuun,Motorcycles

Zuun: Como você começou a andar de moto?

Janaina: Eu diria que a moto “está no meu sangue”. Tenho um primo, o Ademir Todeschini, que é como um irmão pra mim, ele competia na cidade de Chapecó (SC). Vendo o Ademir andar, comecei a sentir vontade de competir, ainda na infância. Conversei com a minha família sobre esse desejo, mas meus pais tinham medo que eu me machucasse. Depois de muito tempo insistindo e quando parecia que a vontade da minha família prevaleceria, meu primo conseguiu convencer o meu pai a me deixar correr. Com dez anos de idade, eu competi pela primeira vez.

Zuun: Qual o seu sentimento pela moto?

Janaina: A moto faz parte da minha história. Havia uma época, em que a família Todeschini possuía sete pilotos, ou seja, é uma paixão que vem de sangue. Meu pai era o mecânico do meu primo Ademir nas competições e viveu todas as dificuldades que o esporte oferecia. Na época, eles viajavam para as competições, sempre com o compromisso de conquistar um bom resultado para que o dinheiro da premiação fosse usado para que eles voltassem para casa. Tudo era movido pelo amor. Com todos esses desafios, a moto não poderia ser nada menos do que uma paixão.

Zuun: Por que veio competir no MotoCross Gaúcho?

Janaina: Depois de participar de algumas etapas em Santa Catarina, descobrimos que no Rio Grande do Sul existia uma categoria exclusivamente feminina, na qual não precisaria competir entre os homens. Como moramos perto da divisa dos dois estados (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), decidimos vir competir aqui (Rio Grande do Sul).

A piloto encontrou no Rio Grande do Sul o melhor lugar para competir. Foto: Divulgação Zuun,Motorcycles

Zuun: Como superou as dificuldades e se firmou no Motociclismo?

Janaina: Como não tínhamos muitos recursos financeiros, no início era mais complicado. Trocar de moto, por exemplo, era bem mais difícil e normalmente quando trocava de motocicleta, adquiria uma que também já estava usada. Minha família é apaixonada pelo esporte, meu pai sempre deu o melhor de si para que eu pudesse estar nas pistas. Entre uma competição e outra, nós juntávamos dinheiro para comprar uma moto um pouco melhor para poder aperfeiçoar o meu desempenho. Hoje, Graças a Deus e ao esforço do meu pai, nós estamos em uma melhor condição e podemos comprar uma moto nova por ano.

Zuun: Existe algum tipo de preconceito por parte dos homens?

Janaina: É bem complicada essa relação entre homens e mulheres na pista. A maioria dos homens não admite perder para mulheres e acabam, muitas vezes, nos atrapalhando de propósito nas provas. Alguns homens ouvem várias piadas dos amigos quando são derrotados por nós (mulheres). O preconceito ainda existe, mas já foi bem maior. A criação da categoria feminina aqui no Rio Grande do Sul auxilia para que isso (preconceito) diminua cada vez mais. Em Santa Catarina, eu sou a única menina que compete, já aqui sempre vemos várias mulheres na pista. Para mim, Quando estamos na moto somos todos iguais.

Zuun: Em algum momento já pensou em desistir?

Janaina: Olha, às vezes é difícil continuar. Eu já me machuquei em diversas ocasiões, quebrei a clavícula esquerda por duas vezes, uma vez a direita, quebrei quatro dentes, enfim, são várias lesões. Mesmo depois de passar por todas essas dificuldades, eu nunca pensei em desistir. A moto significa tanto para mim, que quando eu me lesiono, eu não choro pela dor, mas pelo fato de ter que ficar afastada das pistas por algum tempo. Em uma das lesões, por exemplo, o médico me proibiu de andar no prazo de trinta dias. Contrariando a todos, quatro dias após o acidente eu estava na pista (risos). O Motocross é um vício que eu não quero deixar. A palavra desistir não existe no meu dicionário. Pelo esporte vale a pena sentir qualquer dor.

Zuun: Quais os melhores resultados que tu tens no currículo?

Janaina: Em 2008, eu surpreendi a todos os outros competidores e até a mim mesma, sendo vice-campeã gaucha de MotoCross. Mas não foi só isso. No ano seguinte, em 2009, eu conquistei o título do estadual. Em 2010 fiquei em segundo no brasileiro. Essa sequência de bons resultados fez destes três anos, os melhores da minha carreira e me deu muita motivação para estar hoje aqui, ainda competindo.

Zuun: A quem você dedica cada vitória ou bom resultado?

Janaina: Eu diria que minha família é responsável por tudo o que tenho e pelo o que sou. Agradeço à minha mãe, meu pai e ao meu namorado que está sempre me apoiando. Tenho um primo que já foi campeão do Arena Cross e sempre que possível treinamos juntos. Minha família é o motivo do meu sucesso.

Janaina dedica à família seu sucesso nas pistas. Foto: Divulgação Zuun,Motorcycles

Zuun: O que você planeja para seu futuro dentro do esporte?

Janaina: O Motocross é um esporte de risco, então fica difícil prever. Hoje, eu sou estudante de direito e pretendo ter uma profissão nessa área. Jamais vou deixar a motocicleta, isso é certo. Daqui algum tempo, quero estar formada e sem deixar de competir. Espero ser uma grande piloto e servir de exemplo para as meninas que estão começando. Se fosse pela minha vontade, eu correria para sempre.

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