13/02/2013 - 11h11 - Atualizado em 13/02/2013 - 14h32

Diego Faustino, um piloto com desejo de vitória nas pistas e na vida

Conheça melhor o atleta paranaense, atual campeão brasileiro de motovelocidade

Diego Quirino

Uma das maiores revelações da Motovelocidade Brasileira nos últimos tempos, o piloto Diego Faustino, reconhecido pelo numeral 68 e atual Campeão Brasileiro de Motovelocidade, fala um pouco sobre o início de sua carreira, sua transição de piloto amador para profissional, seu atual momento na motovelocidade e objetivos futuros.

1 – Diego, conte-nos um pouco da sua história na motovelocidade, quando começou e como chegou a ser considerado um dos principais pilotos do Brasil na atualidade?

Minha carreira começou em 2006, no Campeonato Metropolitano de minha região (Londrina – PR), pilotando uma RD 135cc. Já em meu ano de estreia, garanti três vitórias e recebi meu primeiro título de Revelação do Ano na categoria.
A partir daí, queria ir cada vez mais além, então no ano seguinte, passei a competir na categoria 250Jr., pelo Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, onde tive minha primeira vitória em nível nacional, na última etapa do campeonato, no autódromo de Interlagos-SP.
  
Faustino liderando em Interlagos – Cat. 250cc

Em 2009, passei a competir de 600cc (Hornet), a diferença de motocicleta foi enorme, mas consegui me adaptar rápido e garanti o Vice-Campeonato Paranaense, sem participar de todas as etapas e quebrando recorde de pista.

No ano seguinte, ainda de Hornet, participei do Racing Festival pelo Team Scud Petrobras, acredito que um grande marco em minha carreira como piloto.   

Gilson Scudeler e Faustino comemorando vitória da equipe e piloto. Cat.Hornet 600cc.

2011 foi o ano de estreia com as Superbike (1000cc), pelo Moto 1000 GP, já na categoria principal, a GP 1000. O interessante foi a maneira como iniciei no campeonato, sem patrocínio, sem apoios e sem motocicleta. Estava parado há seis meses e, após conversar muito com meu Manager, o qual cuida de praticamente tudo em minha carreira, decidimos que teríamos que participar da primeira etapa de alguma forma, ser notado, foi quando alugamos uma motocicleta na semana da primeira etapa do evento, uma Supersport (600cc). Sim, uma 600cc, estreando na categoria PRO de 1000cc! Era o que tinha! (risos). Larguei de sétimo e ao final da segunda perna do S do Senna, já era primeiro (risos). Alternei posições entre os três primeiros durante toda a prova, mas acabei ficando quase sem freio e terminei na terceira colocação. A partir da etapa seguinte, tínhamos conseguido apoios e passei a competir de 1000cc. O balanço do ano foi o Vice-Campeonato, onde venci quase toda a segunda metade do campeonato, nomeado Talento do Ano e vencedor do prêmio Moto de Ouro, como o segundo melhor piloto de motovelocidade do Brasil.
   
Em 2011, estreou na categoria principal e conquistou o Vice-Campeonato, no Moto 1000 GP.

Em 2012, passei a competir pela Spiga Racing, no campeonato Superbike Series Brasil. Pois bem, ali estava eu, mais uma vez um novato jogado aos “leões” (risos). Agora estava frente aos mais experientes pilotos do Brasil, concorrentes com grande bagagem, experiência internacional, equipamentos com alto nível de investimento e, logo na primeira etapa, conquistei a vitória. Realmente foi um feito e tanto para minha carreira, uma vez que já sabíamos que seria possível alcançar o resultado, porém planejamos que isso aconteceria lá pela quarta etapa.

Apesar de o Spiga ser um ótimo preparador, iniciamos o ano com uma motocicleta 2008, com certo desgaste e uma grande desvantagem em equipamentos em relação aos nossos concorrentes, com alguns apoios, mas sem patrocínio algum, porém era a melhor motocicleta que já havia pilotado até então. Apesar de enfrentarmos problemas de falta de peças e equipamento, continuamos vencendo e dando trabalho aos adversários, foi então que surgiram ótimos patrocínios. Daí para frente, o desafio era acertar a máquina e torná-la competitiva, já na reta final do campeonato.
  
Em 2012 passou a representar a BMW oficialmente e garantiu o título de Campeão Brasileiro na SBK PRO.

Logo na primeira etapa com a nova moto, garantimos mais uma vitória. Foi brilhante. Na reta final do campeonato, pudemos realizar um treino antes de cada etapa e isso foi primordial para eu conseguir extrair mais da motocicleta e acertarmos ela melhor. Este foi um fator de grande importância no sucesso das últimas etapas e, consequentemente, a conquista do título de Campeão Brasileiro, na principal categoria.

2 - Pudemos notar que sempre buscou categorias bem mais fortes do que seria o ideal para o seu próximo passo e, mesmo assim, destacou-se em todas elas. A que se deve tal sucesso?

Toda minha carreira tem sido assim, orçamento apertado, motocicleta sempre em desvantagem aos concorrentes e muita vontade de vencer, abraçando desafios cada vez maiores. Acredito que estes tenham sido os fatores que me forçaram a extrair cada vez mais de minha pilotagem e assim poder garantir resultados mesmo com algumas desvantagens.

No campeonato que participei em 2012 o regulamento é aberto, onde é permitida muita preparação nas motocicletas. Muitos pensam que eu possuía uma motocicleta de grande investimento, devido aos patrocinadores que representei, mas na verdade, ela poderia fazer parte de campeonatos Stock, que possuem restrição na preparação, e isso enaltece ainda mais o bom trabalho que foi realizado.

De qualquer forma ainda tenho muito para melhorar e dá para fazer ainda melhor. Basta treinarmos mais.

3 – Com apenas 23 anos e somente dois anos de experiência na principal categoria (PRO), você já escreveu seu nome na história da motovelocidade brasileira e foi considerado piloto revelação pela terceira vez em sua carreira. O que você tem a dizer sobre essas conquistas?

Realmente é muito gratificante ser apontado como um dos melhores do país em tão pouco tempo de carreira. Acredito que o piloto tem seu merecimento, afinal é ele quem executa o que lhe é direcionado, porém sempre tive grandes pessoas me ajudando a seguir na direção correta, tanto dentro, quanto fora das pistas, e hoje consigo ver quão importante isso tem sido para mim, na hora de me diferenciar dos demais.

Posso lhe garantir que não tem sido fácil, muito pelo contrário, tem sido uma provação em minha vida, principalmente no último ano, quando passei realmente a vivenciar e a incorporar a carreira com seriedade.

4 – O que um piloto precisa para ser considerado profissional?

Sinceramente, o profissionalismo está mais envolvido com a mentalidade e a forma de conduta do atleta e sua equipe, do que com o nível de pilotagem, pois hoje temos muitos pilotos que competem em categorias profissionais, mas não possuem um comportamento condizente.

Uma conduta profissional tem a ver com a seriedade que o piloto leva o esporte em sua vida, sua dedicação, sua preocupação e preparação na hora de dar o retorno às empresas que o apoiam, seja em entrevistas, na divulgação junto à imprensa, no layout de sua motocicleta, na limpeza e organização de seu Box, nas questões comerciais e afins. Claro que o ideal, além de tudo isso, é também ser rápido, trazer resultados e manter uma conduta ética dentro das pistas. Mas só ser rápido não quer dizer nada.

5 – Olhando para sua carreira, o que acha que mais mudou neste último ano?

A cada ano que passa, novas experiências são vividas e, com isso, novos aprendizados. 2012 foi um ano em que tive de rever tudo, desde o meu jeito de ser fora das pistas, de pilotar e até a dedicação na preparação física e alimentação. As maiores mudanças foram em enxergar a motovelocidade como algo que eu realmente desejo para minha vida, tive a necessidade de me adaptar e de me dedicar para ela, e isso trouxe resultados expressivos desde as primeiras etapas. Hoje vejo que o que havia feito até 2011 não passava de um hobby e tenho a consciência de que se eu conseguir chegar onde quero, será ainda mais árduo. Pretendo estar sempre preparado para o próximo passo.

6 – E o que te ajudou a ter uma vida mais disciplinada e com objetivos bem definidos?

Tenho uma equipe que gerencia a minha carreira. Acho o Gerenciamento de Carreira extremamente importante para quem deseja chegar a um lugar de destaque no seu esporte e viver dele de forma profissional, pois o atleta deve estar somente focado em pilotar e se preparar. Só que, para pilotar e se preparar, é preciso de patrocínio. Para conseguir patrocínio, é preciso negociações, entender do mercado, etc. Uma vez conquistado o patrocínio, é preciso gerar notícias na imprensa e retorno a estes patrocinadores. Para ser um atleta completo, é necessário saber como agir e se comunicar em público. Além de tudo isso, tenho que ter resultados nas pistas, ter uma boa preparação física e, principalmente, mental. Realmente são muitas questões para se preocupar e fica praticamente impossível se dedicar integralmente a tudo isso, até mesmo porque não tenho conhecimento para tal. Acredito que muitos pilotos não evoluem nem de um lado, nem de outro, porque acham que sabem e conseguem fazer tudo sozinhos.

7 – Como você vê o nível técnico dos pilotos brasileiros perante o mundo?

Não precisa ir muito longe para avaliar o nível do Brasil na Motovelocidade, veja os argentinos quando participam dos nossos campeonatos, ou seja, melhoramos, mas ainda não é o suficiente. Nossa base é muito fraca e os custos elevados.

Fica difícil para o brasileiro de classe média, por exemplo, entrar para este esporte e fazer dele algo que a grande massa possa participar. Então, ainda predominam pilotos velhos que podem custear suas despesas. Porém, essa conversa já está ficando com cara de “coisa velha” a meu ver. O setor cresceu e tende a melhorar muito ainda. Bons campeonatos, patrocinadores, pilotos de nível e pouca idade estão surgindo, e o profissionalismo nos eventos e entre equipes e pilotos está passando a ser requisito básico. Os que não seguirem este perfil sairão perdendo e isto já vem acontecendo.

8 - O que acha que precisa fazer para alcançar grandes resultados no exterior?

Para alcançar os resultados no exterior, será necessário dedicação em dobro e, principalmente, muito treino. Como as pistas são mais técnicas e o jeito de pilotar deve ser diferente, precisarei colher o máximo de informação em vídeos e fotos para me adaptar mentalmente e estar muito bem preparado fisicamente para não perder tempo com desgaste físico.

9 - Quais são suas metas e objetivos de carreira?

Minha meta consiste em evoluir o máximo que eu puder. A conquista de título é consequência de um bom trabalho.

Preparação para mais uma corrida

Meu objetivo é firmar uma carreira internacional e minha maior realização será poder viver do esporte.

Analisando os resultados de meus concorrentes que já participaram de provas em nível mundial, acredito que tenho a possibilidade de obter bons resultados em pouco tempo lá fora. Minha idade ainda é atraente aos olhos das equipes, mas preciso já iniciar algo em 2013, é “o momento” para os primeiros passos.

10 – O que você precisa para iniciar suas participações em nível internacional?

Preciso de um patrocinador que esteja disposto a apostar em minha carreira e deseje alcançar ou ampliar sua marca a novos mercados, seja em projeção mundial e/ou nacional. E, para gerar um bom retorno, não me prendo somente em meus resultados nas pistas, pois, como comentei anteriormente, tenho profissionais especializados que gerenciam minha carreira e que possibilitam diversas opções aos patrocinadores para que eles obtenham os resultados desejados.

11 – Deixe um recado para aqueles que estão começando, repletos de sonhos e possuem você como um ídolo, um ícone no esporte.

Não deixem de sonhar. Se sente algo muito forte em você, dizendo-lhe que é isto que deseja fazer, então vá. Comece de alguma forma e lute para se manter focado, apesar das dificuldades que, com certeza, haverão.  Escolha sempre o lado da honestidade, mesmo que este pareça o mais difícil, pois lá na frente, vai valer a pena. Eu acredito que tudo é possível. Planeje, tenha foco, execute e ACELERA!

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