28/03/2013 - 11h27 - Atualizado em 28/03/2013 - 11h33

Dois trilheiros contam suas histórias e aventuras sobre duas rodas

Eles criaram uma rota, fazem trilhas para fugir da rotina e pretendem que seus filhos sigam os seus passos.

Zuun,motorcycles

Ricardo Port (45 anos) e Daniel Panitz (47) são dois amigos de São Leopoldo - Rio Grande do Sul - que fazem trilhas, geralmente juntos e com amigos. Para eles, andar de moto é uma válvula de escape, que “faz o sangue circular”. Usam suas motos rotineiramente. E o sentimento é inexplicável, não encontram palavras para descrever. Viajam por lugares de paisagens lindas, onde, com suas câmeras, mostram toda a beleza que é fazer essas aventuras.

Em uma conversa informal, divertida e descontraída, contaram suas aventuras sobre duas rodas, e declararam: “A gente se acha ‘guri’ ainda. E nos entendemos, usando capacete – em cima da moto -, sem precisar falar um com o outro quando estamos nas trilhas”.

Os dois são apelidados de Panica e Port. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun,motorcycles - Quando esse gosto por motociclismo começou?

Ricardo Port – A idade vai pesar agora, relembrando o começo! (risos) Nós dois começamos a andar de moto praticamente no mesmo período, em 1985. Comprei uma Yamaha DT, desmontei-a em frente à casa da mãe do Panica e a levamos para uma prova de Motocross, mas somente na brincadeira. Tanto que a gente perdeu a primeira bateria (tanto a da prova quanto a da moto)! (risos) E, desde ali, me apaixonei por motos. O Daniel inclusive já fazia algumas trilhas naquela época, com saco de lixo nos pés, pois não tinha botas! Depois “a coisa” ficou um pouquinho mais profissional, em 88/89. Apareceu uma bota no pedaço, equipamento... Acredito que em 1992 que tudo se ajeitou mesmo, até mecânicos para as nossas motos começaram a aparecer.

Zuun,motorycles - Mas de onde surgiu a vontade de andar de moto?

Daniel Panitz – Meu irmão, desde 1975, já tinha moto. Ele era dono de um barzinho, onde uma meia dúzia de motociclistas se reunia, em São Leopoldo. Era pouca gente que andava de moto, e eu lia aquela revista “Duas Rodas”. E motocicleta, pra mim, tinha que ser off-road, nunca pensei em andar de moto de asfalto.

Ricardo Port – Também nunca me passou pela cabeça ter moto de estrada. Mas a minha paixão é antiga e é relacionada mais com o “estar no sangue”. A vontade simplesmente surgiu. E, para mim, é uma válvula de escape dar, nem que seja uma vez por semana, uma volta de moto. É obrigatório fazer isso. E o bacana é que a turma de motociclistas que começou com a gente, nos anos 80, está praticamente toda aí ainda.

Port sempre teve preferência por trilhas. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun – Por que a preferência por trilhas e não pelo asfalto?

Port – Minha esposa que pergunta: “Por que tem que andar sempre sujo?” (risos). Não tem muita explicação, eu adoro isso. Principalmente quando chove, daí fico muito feliz. Gosto de estradas atípicas, dá uma adrenalina. Parece que se não tiver tombo e dificuldades, e se não furar dois pneus e ficar empenhado - que te deixa bravo no início - não tem graça.

Panica – Fiz um trecho de 80 km de asfalto, me arrependi, simplesmente não consigo andar.

Zuun – Muitos se machucam em decorrência dessas aventuras?

Port – Depois que esquenta “a coisa”, o pessoal se emociona e pensa “vou buscar o da frente” e assim vai... A adrenalina sobe, criam coragem e daí surgem os machucados (risos). Andam uns 40 km/h e a “gurizada” exagera... As surpresas podem acontecer a qualquer momento. Houve uma vez que, nessas estradinhas escondidas e pequenas, “do nada” surgiu um taxi e não tinha como desviar dele, um dos nossos amigos bateu de frente, sorte que não aconteceu nada de mais grave.

Panica também não conseguiu se adaptar no asfalto. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - Como é feita a seleção de pessoas para realizar estas viagens?

Port – Na realidade, adquire-se amigos nessas viagens, existe uma base e vai só se aumentando ela.

Panica – O boca a boca, os convites, tudo ajuda a aumentar esse grupo.

Zuun - E como é definida a quantidade de viagens feitas por ano?

Port – Eu, por exemplo, tenho uma agenda bem complicada. Então, às vezes, dá na telha de ir sozinho, ou até mesmo convidar um colega, pra ir um dia ou dois viajar. Na realidade, é mais no impulso mesmo, quando dá vontade, viajamos. Se for pra sair com três pessoas, saímos com estas... Mas a Rota 600 para nós tá consolidada, e cada ano tem mais gente participando.

Eles passam por paisagens magníficas. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - O que é esta Rota 600?

Panica – A ideia de criar essa rota veio de dois parceiros nossos, onde o percurso fosse até Garopaba (SC). Eu nunca tinha traçado esse roteiro, fui fazendo ele via Google Maps, o que facilitou bastante. São 600 km de viagem mesmo. Mas, somente uns 70 km de asfalto, às vezes precisamos passar por esse trecho de estrada para ir ao posto abastecer. Até adesivo sobre essa rota temos, bem bacana!

Zuun - Vocês não planejam criar outra rota?

Panica – Já pensei em fazer uma de inverno, tipo em Gramado, Bento Gonçalves... Mas, como faço Enduro de Regularidade, depois trilha, acabado não tendo tempo para me aprofundar nisso.

Port – Na realidade, houve a solicitação de alguns para fazer a Rota 300, a metade da quilometragem da outra. Porque chega no segundo dia e o pessoal está bem cansado, tanto que não voltamos de moto, ela vem em cima de um caminhão, voltamos de carro.

Panica – A gente só vai, né? Voltar não! (risos)

O grupo de trilheiros é bem unido. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - No grupo de vocês, existe estatuto ou tudo é somente na base da amizade?

Port – É somente na amizade mesmo, um liga para o outro e pronto! É a nossa turma da Rota 600. Estamos abertos a novas pessoas inclusive. A ideia é fazer essas viagens para nos divertir.

Panica – Eu, inclusive, nem participo de grupo que tenha estatuto, norma, idade... “Tô” fora desse tipo de coisa, se começar a ter isso, sou o primeiro a sair.

Port – Perde o ideal da “coisa”. Funciona assim: dizemos tal hora e tal lugar e quem quiser ir viajar, vai. Temos essa liberdade. Quando um grupo começa a ter conflitos, se perde o ideal, quando vê o pessoal está comprando briga no que seria uma paixão. O objetivo é que pessoas com um interesse em comum se encontrem.

Após horas de viagem, uma das melhores partes é a janta! Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - Port, sabemos que você participa de vários grupos, como o da Vespa. Conte-nos um pouco sobre isso.

Port – Participo da Confraria da Vespa, fazemos viagens longas com essa moto. Nesse grupo tem mais ou menos quinze integrantes e, infelizmente, não consigo acompanhar todas as viagens que eles fazem, são muitas. É uma paixão antiga também, que não tem como descrever, como explicar. É um“lance” bacana sair rodando com ela! Até comprei mais uma em leilão uns dias atrás. Às vezes, deixo a outra exposta aqui na frente do hotel, tem gente que chega a oferecer dinheiro por ela, mas, se eu for vender, estarei vendendo parte da minha história. Não tem como estipular um valor pela minha moto! É valor sentimental. As duas motos que tenho serão para os meus filhos.

 

O descanso após viagem faz parte do roteiro. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - Percebemos que esses valores que vocês tem, passam para os seus filhos. Como é a relação deles com o motociclismo?

Port – Eu tenho por costume levar eles a esse caminho, mas se vão seguir ou não, isso quem decidirá serão eles. O Henrique, mais velho, tem um quadriciclo... Ele andou um tempo, achava legal, mas hoje em dia está parado, não usa há mais de meio ano. Meu pequeno está querendo ir pra esse caminho... Ele foi em uma viagem comigo, gostou, mas quem estava realizado realmente era eu, por juntar o que amo. Eu quero que, quando os dois tiverem habilitação, façam uma parceria com o pai, mas não tenho muito domínio sobre isso. No quarto deles tem Vespa na parede, adesivos, identificam a moto quando a veem na rua... Enfim, curtem isso, mas não sei se vão seguir, não forçarei a nada.

Panica – Eu tenho uma menina, que anda direto de moto comigo. Busco e levo para o colégio, ela adora! Inclina, faz os movimentos junto, sabe andar...

Zuun - Quais são os próximos projetos?

Panica – Coloquei três amigos nossos no Enduro de Regularidade, no Enduro dos Pampas, para competir. Minha ideia é juntar vários pilotos, colocar mais gente nos campeonatos da modalidade, porque é algo que está “morrendo” aqui no Rio Grande do Sul. Defendo muito este esporte, porque ele não consiste em velocidade. Ninguém vai lá para se machucar nem ganhar de outro piloto e sim de si mesmo. É uma competição saudável, que tu andas em lugares novos, em trilhas novas e sem risco.

Para entender um pouco do que esses caras passam, assista aos vídeos abaixo:

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