15/06/2013 - 08h00

Entrevista exclusiva: Wilson Yasuda fala sobre uma vida dedicada ao motociclismo

Yasuda, um dos responsáveis pela evolução do motociclismo no Brasil, falou com a Zuun Motorcycles. Confira!

Zuun,motorcycles

Se o motocross brasileiro evoluiu nos últimos anos, muito se deve a Wilson Kenji Yasuda. Por mais de 20 anos, o paulista com descendência asiática atuou como chefe de competições das equipes Honda. Com uma vida dedicada ao motociclismo, Yasuda não poupou esforços para fazer do esporte, uma modalidade cada vez melhor e, desde o ano passado, trabalha prestando consultoria a Honda do Brasil. Confira a entrevista exclusiva com Wilson Yasuda, uma lenda viva do motociclismo nacional.

Yasuda presta serviços à Honda do Brasil há 40 anos e, durante 20, foi chefe de equipe. Divulgação

Zuun – Conte-nos um pouco da sua história de envolvimento com o mundo duas rodas.

Yasuda: Eu trabalhei na Honda durante 40 anos. Comecei na empresa muito jovem, na área técnica, onde desenvolvi uma série de equipamentos importantes e nós fomos acompanhando a evolução do mundo duas rodas. Trabalhamos no Hollywood Motocross (famoso campeonato da década de 80), depois auxiliamos nos campeonatos brasileiros e estaduais, fomos buscando uma maneira de colaborar com o crescimento do esporte. Nós somos responsáveis, por exemplo, por criar essa categoria MX3, porque achávamos que o piloto com mais experiência, com mais idade, poderia ter uma oportunidade de participar de eventos novamente, “curtindo” um pouco mais. Com todos esses acontecimentos, a moto se tornou essencial para a minha vida.

Zuun - Como se deu o início a história da equipe da Honda no Motocross?

Yasuda: A atividade de competição na Honda, independente do time, já começou há muito tempo atrás. Existiram grandes pilotos, como o Moronguinho, que foram patrocinados pela marca. Desde a década de 1980, nós trabalhos nas competições voltadas para o motociclismo.
A década de 80 era repleta de eventos, nos quais a Honda já tinha um trabalho na competição. Viemos "andando" através dos tempos com algumas dificuldades, em função de adversidades do mercado. Depois que passou toda essa fase de inicial do desenvolvimento do motocross, quando ele já estava mais “maduro”, a Honda continuou seu trabalho buscando aperfeiçoar o esporte cada vez mais.

Zuun – Para você, quais são as principais diferenças entre o motocross nacional e os outros campeonatos do mundo a fora?

Yasuda: Os campeonatos do Brasil são diferentes do AMA Supercross e mundial de Motocross, por exemplo, que contam com um número muito grande de pilotos e possuem um foco muito grande nesse trabalho. No exterior, existem grandes marcas que se tornam parceiras. Isso faz com que o esporte se valorize e tome proporções bem maiores do que aqui. No Brasil, pouca gente sabe da quantidade de competições existentes, e são raros aqueles que conhecem bem os pilotos. Na Europa ou Estados Unidos, os competidores são tratados como estrelas e são muito valorizados. Lá fora, o público é muito maior.

Zuun – Você já trabalhou com motovelocidade, como vê a situação da modalidade hoje?

Yasuda: Existe uma situação um pouco diferente entre a motovelocidade antiga e a moderna. Hoje a modalidade é mais fácil de ser realizada, porque os equipamentos estão mais adequados, o custo é menor e o resultado bem melhor do que em tempos atrás. Hoje, temos dois grandes campeonatos a nível nacional e que contam com um grid muito grande. Apesar da dificuldade e do alto custo que as competições apresentam, as categorias de base vem crescendo e dando a todos a oportunidade de competir. Mesmo que lentamente, podemos ver uma evolução na motovelocidade nacional.

Zuun - Como conseguiram trazer o Campeonato Mundial de Motocross para o Brasil?

Yasuda: Nós tivemos uma proposta de um promotor europeu que vislumbrou que o Brasil poderia ser um potencial país para realizar uma etapa do mundial. Eles queriam sair um pouco da Europa, porque o continente estava passando por uma dificuldade muito grande, foi então que a Honda, como patrocinador principal, teve a oportunidade de trazer o Mundial para o Brasil desde o ano de 2010. Nos orgulhamos muito desta iniciativa.

O ex chefe de equipe viu a evolução do esporte no Brasil. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun – Você acredita que o motociclismo brasileiro está indo pelos caminhos certos, que dos novos talentos, vai surgir algum nome que pode despontar no cenário mundial?

Yasuda: Eu sempre tive a sensação de que, no motocross, existem vários pilotos, muitas equipes, mas tem pouca oportunidade de você participar de provas a nível mundial. Se analisarmos a história do motocross, poucos tiveram a oportunidade de disputar alguma competição de peso, fora do país. No passado, o Roberto Boecher e depois ninguém mais. Já na motovelocidade, temos o Eric Granado e a Sabrina Paiuta que disputam competições a nível mundial. Para mim, falta alguém que invista nas categorias menores, como a 50 cc, pois se o piloto for para o exterior quando ainda tiver entre 7  e 10 anos, a chance dele atingir o auge até os 18 anos é muito maior. Enquanto não valorizarmos nossas categorias de base, a chance de surgir um grande nome para o motocross é bem pequena.

Zuun – E hoje, qual é o critério para enviar um piloto brasileiro para disputar um mundial?

Yasuda: Não existe um critério. Na verdade, o Motocross das Nações, por exemplo, tem um sistema parecido com a Seleção Brasileira de Futebol, vai o melhor piloto. O técnico é soberano na decisão. É como a equipe americana, que possui três marcas e três pilotos diferentes, porque o chefe da equipe decidiu quem iria correr, independente de marcas. 

Zuun – Como é lidar com sonhos de pilotos?

Yasuda: Na verdade, a maioria dos pilotos sabe muito bem onde pode chegar. Nós apenas avaliamos, resta a ele (piloto) mostrar o quanto quer e o que está disposto a fazer para atingir seu objetivo. Quem “lida” com sonho é o próprio piloto.

Zuun – Com essa história de 40 anos de atuação no motociclismo, o que a moto significa para você?

Yasuda: Eu trabalho com motocicleta desde o início da minha vida profissional, foi a minha sobrevivência durante esses 40 anos. Eu não posso dizer que eu não gosto, seria mentira. Porque, se eu estou aqui trabalhando, se estou aqui olhando esse campeonato, se estou dando a minha opinião, é porque realmente esse negócio já faz parte de mim. Dificilmente se vê pessoas que atuam há tanto tempo nesse ramo. O ramo duas rodas já passou por diversas dificuldades, mas eu continuo aqui. Eu posso dizer que tenho o motociclismo no meu sangue. Eu gosto desse negócio, seja ele de velocidade, seja ele de motocross, seja ele de enduro, seja ele de rali, seja ele na condução segura da moto. Desde o primeiro segundo que estou no meio, procuro colaborar para que o motociclismo evolua cada dia mais.

Wilson Yasuda: Eu posso dizer que tenho o motociclismo no meu sangue. Foto: Zuun Motorcycles

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