14/12/2012 - 08h10

Etelvino Maia: Com o esporte no sangue e o motociclismo no coração

Este "novato" piloto mostra a todos que não existe momento ou data exata para começar novos projetos de vida.

Zuun,motorcycles

Não importa quanto tempo você demore em realizar um sonho, muito menos para notar que este sonho existe. A realização está em concretizá-lo, e melhor ainda, saber que você nasceu para isso.

Entrevistamos Etelvino Maia, 42 anos, residente em Caxias do Sul (serra gaúcha) e que em seu primeiro ano como piloto profissional na motovelocidade, categoria Turismo Pró, já tem histórias para contar, envolvendo família e paixão pelo esporte.

Andar de moto já estava em seus planos há anos, mas a hora parecia nunca chegar para ele. Centrado, determinado e competitivo (adjetivos que estão sempre presentes na sua entrevista), nos passou confiança de que está no caminho certo, o das pistas.

Zuun: Quem é Etelvino Maia?

Etelvino: Sou uma pessoa normal, marido, pai, dono de empresa, e nos finais de semana ou quando possível pratico esportes, quase sempre radicais.

Etelvino e sua moto, uma ligação perfeita. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun - Por que decidiu entrar no mundo da motovelocidade?

Etelvino: Moto é uma paixão antiga e devido a medos, e ainda ver alguns acidentes memoráveis, retardei ao máximo esta decisão. Mas, quando pilotei pela primeira vez uma motocicleta a mais de 200 km/h e descobri que é uma das sensações mais emocionantes que já senti, a paixão me pegou e hoje estou aqui, curtindo mais esta eletrizante etapa de minha vida.

Etelvino Maia pintando com o colorido de sua moto a pista do Autódromo Internacional de Guaporé/RS. Foto: O Chacal

Zuun: Você já era piloto antes de entrar para o GP Gaúcho?

Etelvino: Não. Mas o esporte radical sempre fez parte da minha vida. Eu pratiquei paraquedismo e voo livre por 14 anos e fiz acrobacia de parapente por um ano, parei justamente por ter perdido muitos amigos. Andei com trilheiros durante um ano e meu último esporte antes de ingressar na motovelocidade foi velejar de Kite Surf, tudo em busca de diversão e adrenalina, mas minha paixão mesmo era pela motovelocidade, é “nela que tenho que entrar”, dizia para mim mesmo. E o começo de tudo foi a convite do amigo e professor Rad, da” Rad Racing School”, para assistirmos a uma das provas da 1000GP no autódromo de Santa Cruz (RS). Lá, este sentimento aflorou de vez.”Nossa! é isso que eu quero para mim”, disse aos gritos e com os olhos brilhando de alegria. Na segunda-feira, comprei uma moto de rua e um mês depois fui para a pista fazer meu primeiro track-day. Na volta para casa, realizado e decidido, mandei a moto para a oficina para transformá-la de vez em moto de competição.

Primeira aula prática com o professor Rad em novembro de 2011. Foto. O Chacal

Zuun: 2012 é o seu primeiro ano como profissional na motovelocidade?

Etelvino: Sim. Este é meu primeiro ano competindo de verdade. Confesso que comecei muito bem e não fiz apenas o papel de coadjuvante dentro das pistas, estou fechando esta temporada em 4º lugar na geral, e admito, é muito mais do que eu imaginava e este aprendizado me faz querer a ponta do campeonato já em 2013.

O piloto percebeu que a motovelocidade é uma verdadeira paixão. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun: De onde vem este espírito de competitividade?

Etelvino: Isso sempre fez parte da minha vida, eu acredito que existem pessoas que tem dons, e existem aquelas que são obrigadas a treinar e a insistir. Eu faço parte das que insistem e treinam muito. Para ter uma ideia, comecei a participar de track-day no dia 2 de outubro de 2011, e não falhei mais em nenhum treino. Quando faço algo, seja pessoal ou profissional, entro 100% no projeto. Sou uma pessoa extremamente dedicada e cobro de mim mesmo excelência nos resultados.

Zuun: Como foi o processo de preparação para estar no GP?

Etelvino: Quando comecei a participar dos track-days, percebi uma grande deficiência física, pois o desgaste nas pistas é muito grande. Além de investir em preparador físico, busquei profissionais para trabalhar minha moto e a X-Treme tem feito um belíssimo trabalho. Acredito que para ser competitivo você precisa pensar em um todo, e se quer chegar ao topo tem que estar preparado em todos os sentidos.

Manobras ousadas no GP Gaúcho de Motovelocidade 2012. Fotos: O Chacal

Zuun: Mulher e filha sempre presentes. É um incentivo a mais?

Etelvino: A minha família pertence a esse mundo. Eu conheci minha esposa nas rampas de voo livre e a minha filha criou-se dentro destes esportes radicais. A moto é um prazer dentro das pistas, mas quando volto ao box, quero minha esposa e filha por perto. Não existo sem minha família. Minha filha, que tem apenas nove anos já tem sua moto (scooter), com todos os equipamentos de segurança que tem direito. Quero que ela sinta este prazer e possa no futuro decidir se quer participar deste esporte, pois terá todo o meu apoio. Posso dizer que o esporte faz parte do “Team Maia” (risos)!

 A base de tudo: a filha Vitória e a esposa Susana são o pedestal de Etelvino. Fotos: Zuun e O Chacal

Zuun: Quais são os teus medos dentro deste esporte?

Etelvino: Não existem medos que me perseguem dentro da motovelocidade. Cair faz parte deste esporte e meu primeiro tombo foi na quinta etapa, quando insistia em melhorar o tempo. Arriscar é um processo natural para quem busca melhores resultados dentro da competição. O meu receio era e é, de derrubar alguém, seja numa freada errada ou numa entrada de curva. Ainda não sou um piloto completo a ponto de disputar uma curva com outros pilotos, por isso, prefiro “tirar a mão”. Faz parte do aprendizado.

Concentração e respeito antes de entrar nas pistas. Foto: Zuun, Motorcycles

Zuun: Como você avalia o GP Gaúcho?

Etelvino: Estamos passando por um processo de amadurecimento dentro e fora das pistas. Nossa estrutura ainda está um pouco abaixo do que vemos a nível Brasil, mas os organizadores estão no caminho certo, tentando profissionalizar sua estrutura, equipes e regras. A perspectiva para 2013 é muito boa, sabemos que já estão se mobilizando para atrair novos patrocínios e aplicar na mídia a marca do GP Gaúcho, para atrair massivamente o público, que hoje é um dos pontos fracos dentro deste esporte. Temos que fomentar o hábito de as famílias retornarem aos autódromos para assistirem não somente a uma prova de moto, e sim, de um evento que atrai e emociona.

Zuun: Quais são os planos para 2013?

Etelvino: Quero participar de algumas etapas do brasileiro, realizar o sonho de correr em Interlagos e se houver oportunidade, andar na Argentina. Lá correm excelentes pilotos e andar com eles é somar ainda mais na minha carreira. Meu foco está no GP Gaúcho, quero competir de igual e quem sabe, fechar o ano no lugar mais alto do pódio.

Etelvino Maia acelerando e deitando ao máximo sua BMW. Foto: O Chacal

Zuun: O que espera colher como piloto da motovelocidade?

Etelvino: Espero ser respeitado como pessoa, amigo e piloto. Quero num futuro não distante, olhar para trás e ver que realmente evoluí dentro e fora das pistas. Minha idade ainda me permite buscar novos desafios, e um deles é tornar-me um campeão de verdade.

Personalidade e respeito pelo esporte. Ponto forte de Etelvino Maia. Foto: O Chacal

Comentários,

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  • Etelvino Maia
    14/05/2018 - 16h31

    Parabéns e obrigado a Zuun e sua equipe pela matéria, fiquei muito feliz com a mesma. Pilotar de moto para mim é a realização de um sonho, hoje realidade. A Zuun vem agregando muito ao motociclismo como um todo, com reportagens que emocionam e com sua equipe trazendo todas as novidades e campeonatos em destaque pelo país. Um muito obrigado e parabéns pelo trabalho que a Zuun vem desenvolvendo. Eu e o motociclismo agradecemos. Forte abraço a toda equipe Zuun.

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