15/01/2013 - 10h52 - Atualizado em 17/01/2013 - 10h14

Grande exemplo: Rogério Gentil Fernandes não se deixa afetar pela idade

O piloto catarinense mostra que é perseverante e apaixonado pela motovelocidade.

Zuun,motorcycles

O que é o passar dos anos para você? Para muitos, é sinônimo de deixar tudo de lado, parar, descansar do que foi vivido. Para outros, é visto como algo negativo, como se fosse o fim do que já foi vivenciado antes. Já para o catarinense - natural de Criciúma - Rogério Gentil Fernandes, e com certeza para várias outras pessoas também, significa dar continuidade a sonhos, a vontades, desejos, paixões... Sem vergonha de falar sua idade, muito pelo contrário, pois ele fez questão de dizê-la, o piloto de 50 anos vive intensamente como um adolescente que recém conheceu o mundo da motovelocidade. Conversamos com ele na etapa final do GP Gaúcho de Motovelocidade, na cidade interiorana Guaporé, e descobrimos que idade é apenas um detalhe. Você deve estar perguntando se a categoria pela qual ele corre é a Master... Também! Rogerinho – assim chamado carinhosamente pelos amigos pilotos – disputou de igual para igual na categoria Superbike com grandes nomes do Rio Grande do Sul.

Comemorar é com ele mesmo! Foto: Zuun,motorcycles

Confira abaixo a entrevista:

Zuun,motorcycles – Quando essa vontade por correr começou?

Rogério Gentil Fernandes – Começou há um tempo já, em 2003! Mas as duas rodas desde pequeno fazem parte da minha vida. “Daí”, os títulos começaram a surgir a partir do ano de 2009, fui campeão sulamericano, e a paixão aumentou cada vez mais. Em 2010 fui campeão gaúcho na 600 cc e vice-brasileiro na SBK 1000 cc! E, em 2011, fui eleito o segundo melhor piloto do Brasil pela revista Motociclismo, de Portugal. No ano de 2012, antecipadamente, venci na categoria Master e disputei título com o Róbson Portaluppi na Superbike, mas acabei ficando em vice. Foi uma disputa acirrada, fiquei 14 pontos atrás.

Zuun,motorcycles – Qual foi sua relação com a moto quando menor? Seus pais deixaram isso iniciar desde pequeno?

Rogério Gentil - Meu pai sempre teve motos antigas, como a Lambretta. Ele me deu uma moto quando tinha 11 anos de idade. Desde criança compito, comecei com motocross e veloterra, mas sempre escondido do meu pai (risos), pois no pensamento dele andar na rua era mais seguro do que praticar o esporte em si, deveria pensar o contrário! Somente após meus 35 anos de idade contei que competia, até hoje ele não gosta disso. Mas é algo que eu amo, é a minha paixão, então sigo em frente. Possuo loja de moto, participo das competições e não consigo nem quero parar de ter esse vínculo com as duas rodas, por mais falta de apoio que eu tenha do meu pai. Faço viagens e sei que é mais perigoso na estrada. Sempre tive o apoio da minha esposa e da minha filha, o que é super importante. Infelizmente meu pai nunca me apoiou a correr.

Rogério Gentil Fernandes é muito concentrado ao que se propõe. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles – O que você prefere, off-road ou motovelocidade?

Rogério - Prefiro a motovelocidade, porque no off-road tem muita terra, sujeira, e isso me incomoda um pouco, prefiro a pista do autódromo. Além disso, me machuquei muito em motocross, quebrei perna, clavícula e cabeça. Diferente da motovelocidade, que até hoje não tive nenhuma lesão.

Zuun,motorcycles – Você competiu de igual para igual com Róbson Portaluppi, conte-nos como foi essa experiência.

Rogério – Foi ótima! A minha vantagem no autódromo é quando está chovendo, pois a minha moto tem motor de tração eletrônica, devido a isso as provas que disputei na chuva ganhei do Portaluppi. Mas, no tempo seco, ele é muito melhor do que eu, é mais novo, tem mais experiência e temos de valorizá-lo, pois ele é muito bom mesmo! Então, por esse motivo não ganhei, mas disputar com ele foi uma grande experiência. Aprendi bastante coisa com ele, pois andar com alguém que é melhor do que “tu” traz bons ensinamentos, outra visão de como correr, outras técnicas. É muito importante disputar com os mais novos.

Ele disputa de igual para igual com pilotos mais jovens. Foto: O Chacal

Zuun,motorcycles – Quais as suas pretensões para o futuro?

Rogério - Tentar melhorar cada vez mais, apesar da minha idade, pois perdi um pouco de reflexo na pista, mas me dedico, e muito! Sei que a moto é perigosa, mas faço tudo corretamente, porém com dedicação. Em 2013, com o patrocínio da Kawasaki que tenho, meu objetivo é de correr o Moto 1000 GP, na categoria Master e obviamente me tornar campeão dela. Se conseguir isso, acredito que vou parar de competir em definitivo. É como se fosse um objetivo de vida, de carreira.

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