01/02/2013 - 13h40

Izabelle: "Eu sempre gostei de moto e o impossível, para mim, não existe"

Conheça a linda história de Izabelle, na qual a moto foi capaz de romper a barreira da razão.

Zuun,motorcycles

Para iniciar, gostaria de fazer algumas breves perguntas. Você costuma desistir fácil de seus objetivos? Você reclama de qualquer adversidade? Você acredita que existe algo impossível? Se suas respostas foram sim, precisa conhecer este exemplo de vida. Izabelle Marques tem 20 anos de idade e, desde os primeiros dias de vida, é paciente da AACD. Belle, como é carinhosamente chamada pelo pai, nasceu com uma má formação medular, a deficiência fez com que a menina não tenha sensibilidade nos membros inferiores.

João Luiz Marques, pai da paulistana, é motociclista desde os 18 anos de idade, o que fez com que a filha herdasse a paixão pela moto. Izabelle sempre quis andar de moto e lutava por esse objetivo. Mesmo estando incapacitada, aos olhos de muitos, a jovem não se deu por vencida, até que um dia a cadeira de rodas foi um mísero detalhe comparado ao desejo de realizar seu sonho. Conheça essa linda história e veja o que a motocicleta pode proporcionar ao ser humano.

A equipe Zuun esteve em São Paulo para, não apenas entrevistar, mas conversar com essa família incrível.  Cada sorriso que estampava o rosto de Izabelle, mostrava sua alegria e determinação. Nós da equipe Zuun nos deparamos com duas pessoas maravilhosas: Um pai, que é capaz de tudo para realizar os sonhos de sua filha. E a linda Izabelle, que deixa o fato de ser cadeirante como um mero detalhe e nos faz perceber que “há vida” além da razão. Depois de uma noite emocionante, aprendemos a ver a vida de uma forma diferente e que o que para muitos é visto como apenas uma vontade de andar de moto, era o sonho da vida de Izabelle.

Izabelle e seu pai, eternos parceiros. Foto: Divulgação Zuun,Motorcycles

Zuun: Izabelle, como começou sua relação com a motocicleta?

Izabelle: Na verdade eu não poderia andar devido ao fato de ser cadeirante e também não conseguir me equilibrar sobre uma moto. Tenho três irmãos mais velhos e sou a que mais gosta de moto. Desde a minha infância, eu peço para o meu pai me levar na carona, mas com uma moto convecional ficaria complicado. Até que um dia, fomos almoçar em um restaurante, meu pai foi de moto e eu, de carro com a minha mãe. Insisti para voltar para casa de moto e ele concordou. O caminho era bem curto, mas já foi o suficiente para eu me apaixonar.

Zuun: De onde surgiu a paixão pela moto?

Izabelle: Meu pai sempre viaja de moto, e eu percebi que ela poderia me dar uma liberdade maior. Eu estaria em um lugar onde não precisaria da cadeira de rodas para me manter "de pé".

Zuun: Qual foi a sensação de ganhar uma moto de aniversário?

Izabelle: Alguns meses antes, nós fomos para os Estados Unidos e passamos na loja da Harley, em Orlando. Lá, nós vimos a Ultraglide (modelo de moto da Harley-Davidson), ela possui um assento confortável e seria uma boa moto para eu andar. Imediatamente, pedi que meu pai alugasse para andarmos apenas naquele dia, mas ele acabou não atendendo ao pedido. No dia do meu aniversário de 18 anos, meu pai estava, supostamente, viajando. Eu levei na boa, pois seria apenas um dia de ausência. Quando de repente, no meio da festa, ele chegou. Eu estava tão feliz com a presença do meu pai, que levou algum tempo para perceber que ele estava com uma Ultraglide, e o melhor de tudo, é que era de presente para mim.

Zuun: O que você sente quando está em cima da moto?

Izabelle: É o único lugar onde eu me sinto completamente livre. Nela (moto), eu não preciso de cadeira. Somos apenas nós três, a moto, meu pai e eu.

Se eu pudesse, andaria o dia inteiro. A moto, com certeza, foi o melhor presente que meu pai já me deu. Enquanto estou andando, sinto um conforto muito grande, tanto que em uma de nossas viagens pela cidade, eu durmi com a moto em movimento.

Belle já viveu grandes momentos em sua moto. Foto: Divulgação

Zuun: Quais os principais momentos que você viveu na moto?

Izabelle: Acho que meu pai nem lembra desse fato, mas, em 2009, eu havia marcado o vestibular. No dia da prova, nós estávamos andando e acabamos passando na frente da faculdade. Foi quando ele lembrou e perguntou se eu não deveria estar fazendo o teste. Eu disse que sim, mas que não faria mais e só pedi para ele continuar (risos...). 

O Sorriso é uma das marcas registradas de Izabelle. Foto: Divulgação Zuun,Motorcycles

Zuun: O que significa para você, ter apenas 20 anos e já ter passado por 29 cirurgias?

Izabelle: Com certeza é uma vitória, tenho muitos motivos para não desistir, pessoas que me amam e que ficarão felizes com a minha alegria. Muitas vezes encontro algumas dificuldades, mas logo depois lembro que o que me faz continuar é bem maior do que a vontade de desistir. Se Deus me deu tudo isso é porque eu posso suportar. Eu já passei aniversários e até natais no hospital, mas nunca perdi a vontade de viver.

Zuun: Como você planeja sua vida para o futuro?

Izabelle: Hoje eu curso administração na FAAP e pretendo me tornar uma boa administradora. Pretendo ter uma família e morar nos Estados Unidos, pois lá foi o primeiro lugar em que eu me senti “pessoa” de verdade e não apenas uma cadeirante. Eu quero ser feliz!

Zuun: Depois de ganhar a moto, tem algum sonho a ser realizado ainda?

Izabelle: Sim, quero fazer a rota 66, pois meu pai já fez com os amigos dele. Falta apenas a autorização da minha mãe, o que é mais difícil (risos...). Mas tenho certeza de que esse sonho também será realizado. Outro sonho é fazer a carteira de habilitação, para poder pilotar.

Para o sonho de Izabelle ser realizado, não foi tão simples assim. O pai teve que adaptar a moto para que a menina pudesse andar sem correr nenhum risco.“Uma das dificuldades que eu tinha, era que, quando nós saíamos, sempre tinha que ir alguém de carro junto para carregar a cadeira dela. Depois de muito procurar, encontrei em uma empresa aqui de São Paulo, uma carretinha que dei de presente para a Belle. Agora a cadeira vai atrás da moto, sem necessitar do envolvimento de outras pessoas. Também coloquei uma proteção maior para que ela não queime os pés no escapamento, fiz um apoio maior para as mãos e um apoio para a coluna”, afirmou João Luiz Marques.

Moto com as adaptações necessárias. Foto: Divulgação

Durante toda a entrevista, Izabelle estampava um sorriso no rosto e encerrou com a seguinte frase: “Às vezes tenho a sensação de que a moto faz parte do meu corpo, nela não preciso de cadeira de rodas, na verdade sinto como se as duas rodas fossem minhas pernas. Nunca disse isso para ninguém, mas quando estou na moto, fecho os olhos e me imagino correndo”.

Muitas vezes encontramos obstáculos em nossas vidas, no caso de Izabelle, a paixão pela moto foi um degrau para superar o obstáculo que era a cadeira de rodas.

E agora fica a pergunta, você vai mesmo desistir dos seus sonhos?

Confira as imagens do primeiro passeio de Izabelle com a carretinha

Comentários,

Comentar matéria

Não houve comentários sobre este assunto.

West Coast - 306x100

notícias,18 Dez