08/11/2012 - 17h44 - Atualizado em 08/11/2012 - 18h00

Lenda do motocross, e precursor do freestyle, conheça Jorge Negretti

O mestre dos saltos e das manobras fez show na última etapa da R1 GP1000, no Velopark.

Zuun,motorcycles

O multicampeão pela modalidade Motocross e precursor do Freestyle, concedeu entrevista ao nosso portal. Receptivo e atencioso, Jorge Negretti contou sobre sua carreira, sua paixão por motos e suas experiências.

Conversa longa e agradável com a lenda. Foto: Zuun,Motorcycles

Zuun,motorcycles - Como surgiu essa paixão por motos?

Jorge Negretti - A paixão por motos surgiu desde garoto. Comecei andando de bicicleta, e na época nem bicicross tinha, mas eu ia direto pra terra. E aí surgiu a oportunidade de assistir a uma corrida de Motocross – eu era moleque ainda, deveria ter uns 7 anos de idade – e quando vi aquilo fiquei em estado de êxtase. Falei “nossa, é isso que eu quero fazer!”. Nesse dia acendeu essa vontade, e isso foi ficando na minha cabeça... Então, aos 14 anos, comecei a andar com moto de rua e surgiu a oportunidade de participar de uma competição, de uma prova promocional da minha cidade, Bragança Paulista. Pedi uma moto emprestada, capacete de um, bota de outro... Acabei conseguindo andar nessa primeira prova, terminei em 4º lugar. Aí não parei mais.

Zuun,motorcycles - Você foi treinar para fora do país, nos Estados Unidos, porque buscou isso no exterior?

Jorge Negretti - Primeiro que isso era uma realização pessoal, de ficar um tempo lá, de ter experiência de vida e de estar fora do seu país. E, segundo, que Estados Unidos é um berço mundial do Motocross, é um país que tem os melhores equipamentos, melhores pilotos e as pistas com um nível muito diferente. Isso foi numa época muito importante. Isso foi logo quando eu assinei um contrato com a Agrale, aqui do Rio Grande do Sul, e como prêmio ganhei essa viagem. Tinha uma moto e todo o suporte necessário para treinar lá. E não deu outra, foi essencial para eu poder melhorar o meu nível, porque quando eu voltei fui campeão de quase todos os campeonatos.

Negretti interagiu o tempo todo com o público. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles - Quanto tempo você ficou fora do país?

Jorge Negretti - Passei 45 dias nos Estados Unidos, porque eu não fui disputar campeonato lá e sim somente treinar. Fiquei na casa do Rodney, que é um excelente piloto, correu muito no Brasil, ele me deu todo o suporte também. Puxa (sic), foi um sonho realizado.

Zuun,motorcycles - És um multicampeão, impossível citar todos os títulos conquistados. Mas qual foi o mais importante para você?

Jorge Negretti - Cada título tem a sua importância, sua história, mas assim... O primeiro título que eu conquistei foi na minha cidade, e nem era campeonato brasileiro e sim paulista! Mas foi um dos mais complicados, porque quebrou o guidão da minha moto, faltando duas voltas para terminar. Tinham dez mil pessoas ali, e aquela pressão toda e eu precisando acabar a corrida e fui, dei essas duas voltas, cheguei na última posição mas que mesmo assim me dava o título!

Zuun,motorcycles - E a vitória mais emocionante?

Jorge Negretti - Tiveram várias, porque... Poxa... No campeonato você disputa, e o nível no Brasil é muito bom. Na época haviam vários pilotos de fora correndo no país também. Mas agradeço a Deus todos os dias porque nenhum piloto tem uma história assim de andar em várias modalidades, e de ser praticamente da segunda geração do esporte no Brasil, e ser o primeiro a competir em Supercross, Arenacross e o primeiro a fazer Freestyle no país. É uma responsabilidade, você tem que continuar andando direitinho.

Zuun,motorcycles - Já que você mencionou em ser o primeiro piloto de Freestyle no Brasil, como foi a sensação?

Jorge Negretti - Foi muito tranquilo, porque, na realidade, a modalidade ainda não existia, então não me cabia a responsabilidade de “nossa, olha o que o cara tá fazendo, ele é o primeiro”. O que eu fazia nada mais era que um complemento do Motocross. Inclusive era considerado como “gracinha”, “olha o cara tá fazendo uma firula”. Hoje não, é uma modalidade, tem todo um respeito.

Jorge Negretti rumou do Motocross para o Freestyle. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles - O que fez você rumar para o Freestyle?

Jorge Negretti - A vontade de superar. Na realidade, a modalidade surgiu numa época ótima porque eu já estava cansado de fazer Motocross, estava ficando sem motivação. E o Freestyle foi algo que veio para eu continuar andando de moto. E já fazem quase doze anos que estou nisto.

Zuun,motorcycles - E a ideia da equipe Jorge Negretti de Motocross Show, como surgiu?

Jorge Negretti - Foi surgindo naturalmente, porque como eu fui um dos primeiros já vieram os filhos, aí “o caldo foi engrossando”, e hoje tem nove pilotos que andam comigo. Claro que nos dividimos, mas a galera está sempre trazendo coisa nova, sangue novo, e sem perder aquele respeito e carinho pelos caras antigos. Isso é legal, essa troca dos que estão chegando e dos que já estão há mais tempo. O próprio nome já diz: “Freestyle”, o cara é livre para fazer o que quiser, o esporte é legal por causa dessa liberdade.

Zuun,motorcycles - Qual a média de shows que estão realizando atualmente?

Jorge Negretti - Olha, só este ano já fizemos mais de setenta.

Zuun,motorcycles - E como é o tempo de preparação antes dos shows, é diferente dependendo de cada lugar?

Jorge Negretti - Cada lugar tem uma situação diferente, mas é tranquilo. Cada piloto tem o seu estilo de pilotagem, o seu perfil. Eu, por exemplo, não faço várias manobras, enquanto outros fazem. Se fossem as mesmas não teria graça.

Zuun,motorcycles - Quais os planos para o futuro?

Jorge Negretti - Eu tenho vários, quero voltar a organizar campeonatos ano que vem, ficamos um tempo parado. Temos o projeto de levar à prefeitura novos circuitos, pois o esporte está carente de pistas, acho que está precisando mais de locais. Tenho vontade de pegar isto e levar adiante.

Zuun,motorcycles - Então você acha que a evolução do esporte está acontecendo mas ainda é precária?

Jorge Negretti - O Brasil está legal, o próprio “Carlinhos” (Carlos Romagnolli) foi premiado pela melhor etapa do Mundial de MX na questão de organização. Mas acho que podemos fazer mais, podemos fazer alguma coisa para ajudar ao esporte. O nosso país é referência em todos os sentidos, de organização, de atletas... Mas acho que falta pista, de Motocross especificamente.

Zuun,motorcycles - O que significa motociclismo para você?

Jorge Negretti - Paixão. Corre no sangue. Algo que vem de dentro. Acho que já nascemos com essa coisa, mas tem muitas pessoas que não se descobrem. Às vezes passam a vida toda com isso no sangue e aos setenta anos falam “nossa, como que eu não descobri isso antes?”. Então, a motocicleta, quando bem utilizada, é um excelente meio de transporte, de ferramenta, de trabalho e de lazer. Ela é muitas vezes mal vista, porque se alguém foi assaltado por uma pessoa em cima de uma moto generalizam, ela não tem culpa. As pessoas não deveriam confundir dessa forma, o responsável é quem está em cima, não a moto.

Ao final da entrevista, o ícone do Freestyle confessou que adora vir ao Rio Grande do Sul, e contou que o apelido dele aqui é Negretchê.

Comentários,

Comentar matéria

Não houve comentários sobre este assunto.

West Coast - 306x100

notícias,12 Dez