18/03/2013 - 15h20 - Atualizado em 18/03/2013 - 15h28

Lírio Antônio Dalmina: um verdadeiro louco e apaixonado motociclista

O presidente do Cães do Asfalto deixa claro o seu amor pelas duas rodas e mostra que organização é o ponto forte do MG.

Zuun,motorcycles

Em um bate-papo informal, durante o maior encontro internacional da América do Sul, conhecemos uma pessoa ímpar, um apaixonado por moto e que, juntos com os amigos, realiza um dos maiores eventos motociclísticos do sul do Brasil, o Motocão. A 15ª edição ocorreu na cidade de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina. Lírio Antônio Dalmina é presidente do Moto Grupo Cães do Asfalto, MG que organiza o encontro.

Zuun,motorcycles - A paixão pela moto começou quando?

Lírio Antônio Dalmina - A paixão começou cedo, com uns 16, 17 anos de idade. Comecei com uma motinho pequena e, aos poucos, ganhando um dinheirinho por trabalhar muito, fui trocando por motos maiores e hoje tenho uma BMW GS e uma Royal Star 1300 cc, da Yamaha.

Zuun,motorcycles - Qual sua profissão atual?

Lírio Antônio - Estou aposentado há nove anos, trabalhei em uma empresa de energia elétrica. Hoje em dia, somente viajo de moto. Já percorri toda a América do Sul, passei por todos os seus países e capitais, sempre, em cima das duas rodas.

Lírio não visa lucro nenhum em seus encontros.

Zuun,motorcycles - Há quanto tempo você está no MG Cães do Asfalto? Você é um dos fundadores?

Lírio Antônio – Desde o início estou nele. Não sou um dos fundadores, mas no ano seguinte à sua fundação, já entrei no grupo e sempre participei da diretoria. Agora faz seis anos que estou na presidência. Inclusive, ano passado, entreguei o cargo porque queria sair para viajar. Aí, quando voltei, descobri que fizeram uma reunião, uma ata, e me elegeram por mais dois anos! (risos)

Zuun,motorcycles - Fale sobre o grupo, que é extremamente organizado. De onde vem tanta força?

Lírio – O nosso grupo é formado por amantes da moto, “a gente” faz este evento sem visar lucro algum, pois queremos que o turismo se fortaleça na região e também desejamos sempre dar uma resposta aos poderes públicos e privados. Viajamos muito, queremos trazer pessoas para dar o exemplo a elas, para verem o que se faz por aqui. Temos profissionais liberais no grupo, eu sou economista mas, há médicos, dentistas e até empresários. Um deles, o vice–presidente João Carlos Felippi, que tem uma empresa de construção civil e também é agropecuarista. O grupo tem vida e recursos financeiros próprios. Promovemos o evento para ajudar o município, fazemos uma bela festa e, assim, divulgamos a cidade, o estado e até o país, pois tem gente que viaja para o exterior e leva o nome do motogrupo e também de São Miguel do Oeste.

Zuun, motorcycles - O que leva este evento a ser tão forte?

Lírio - Este evento começou com 150 motos, era uma “zoeira federal”, neste primeiro eu participei, com uma “motinho”, uma 250 cc da Honda. Fui lá para assistir, não era do grupo ainda. Vi uma bagunça, o pessoal queimando pneu, dentro da nossa feira, em uma área coberta! Pensei então“isso não pode ser assim”. Foi aí que começamos a trabalhar muito e melhorar esse encontro.

Lírio Antônio, Deputado Maurício Eskudlark e João C. Felippi

Zuun,motorcycles – Quais medidas vocês tomaram para reverter essa situação?

Lírio - Há seis/sete anos implantamos o “Zoeira, tô fora!”.  Acho que é por isso que o evento vem se mantendo. A nossa cidade é pequena e o povo tem uma característica especial, somos muito acolhedores. Os hotéis, noventa dias antes do evento, estão todos lotados. E o pessoal hospeda quem não consegue lugar, nas suas próprias casas, sem problemas. Ganham o dinheirinho deles, colocam à disposição o quarto, a garagem... E, o ponto principal, sem dúvida, é a organização! Nós terminamos o evento e já começamos a planejar o próximo. Temos uma sede própria, aqui na cidade, toda terça-feira temos reunião para discutirmos assuntos administrativos nossos, mas sempre tem uma parte reservada para discutirmos o próximo Motocão.

Zuun,motorcycles - Pode-se dizer que chegaram ao “topo” do evento ou podemos esperar por mais surpresas?

Lírio - Acredito que chegamos ao topo, pois não temos mais como acomodar o pessoal aqui, nós divulgávamos o evento na revista Duas Rodas e uma época na televisão, em mídia muito grande, mas hoje em dia somente no nosso site! Outra coisa que é importante é a recepção do turista, aquilo que tenho dito, além de receber bem o turista, o motociclista, também é essencial dar atenção à população local que vem prestigiar o evento, porque esse encontro, agora além de ser o Motocão, é um evento popular. Vem gente de ônibus, infelizmente essa chuva atrapalhou, se não tivesse chovido, não teria lugar para andar hoje. Recebi a informação de que pessoas lotaram ônibus de Florianópolis para vir para cá. Muitas não estão vindo porque o tempo tá atrapalhando muito.

Zuun,motorcycles - Com a dimensão que a coisa tomou, não dá medo de ir adiante e as coisas não acontecerem como se devem?

Lírio - Pois é, nós temos discutido muito essa questão, tem parte do grupo que já quer encerrar por aí mesmo. Acham que já chegamos ao ápice, mas vou dizer uma coisa para vocês, se “tu tem” boa vontade, se faz! Eu sou um cara apaixonado por motos, quando eu não estou aqui preparando o Motocão, estou viajando, monto na moto e saio viajando. Tanto que a minha GS já está com mais de 121 mil quilômetros rodados. E comprei ela há seis anos. Então, gosto muito de viajar e ficar divulgando o evento, dentro do grupo tem eu e mais umas pessoas que gostam de moto e de fazer essa grande festa. Nos sentimos orgulhosos quando vemos um resultado positivo que traz recursos para o município e atende bem o turista. A região toda vem. Realmente conversamos ontem sobre isso, conversaremos novamente nas próximas semanas, faremos o feedback e tentaremos sanar o que ocorreu para melhorar cada vez mais. Mas já se pensou várias vezes em parar tudo por aqui mesmo.

Zuun,motorcycles - Notamos que um dos problemas, que nós gaúchos encontramos em vários eventos, é o poder público, este sempre se afasta do evento do motociclismo. Aqui, em Santa Catarina, notamos que vocês estão próximos disso. Como é que é essa relação?

Lírio - Graças a Deus eu já fui político, fui vereador por quatorze anos e vice-prefeito por um período, tenho uma amizade muito grande na cidade. Então, a Prefeitura tem sido a nossa parceira, sempre tem nos ajudado e coloca recursos para nós, como a Secretaria da Cultura e a de Turismo. E o governo do Estado, através do Funturismo, colabora com uma parcela de recursos. Porém, este ano ocorreu um probleminha, mas nos garantiram que o dinheiro ainda vai vir. É um ponto negativo quando o Estado e o Município não ajudam, mas graças a Deus eles tem nos ajudado e esse problema vai ser solucionado. Conversei com um deputado aqui da região, no qual fui vereador do mesmo partido, que nos garantiu que está tudo certo, semana que vem, estarão aí os recursos necessários. Porque nós gastamos aqui no evento, em média, 60 mil reais do Estado, 35 mil da Prefeitura e arrecadamos, com o os barraqueiros e mais alguns patrocinadores mais um pouco, chegando ao total de 130 a 150 mil reais por evento. E eu sempre digo: se vier três mil motos e gastar 500 reais cada motociclista, “tu” faz os cálculos... Resulta em um milhão e meio de reais o que entra na cidade. É um dinheiro novo que vem de fora e faz girar o comércio. O custo benefício, se gastarmos 130 mil, melhor dizendo, o poder público gasta 90, para entrar 1,5 milhões de receita na cidade, eu acho que é um evento que deve ser preservado, as autoridades daqui e o poder público, principalmente o governo estadual, deveria se preocupar muito mais com isso, nos ajudar mais, ser nossos parceiros, insistimos isso com eles. Principalmente Florianópolis, que está um pouco longe, temos que brigar muito pra conseguir recursos. Na realidade, é para vir, mas não tem nada certo. Acredito que irão atender-nos. Por isso que eu digo, a área da Secretaria de Cultura do governo do Estado, deveria se preocupar mais com esta região, teriam que vir aqui e ver. A cidade tem 36 mil habitantes, se o tempo tivesse colaborado, teria passado mais de 40 mil pessoas nos três dias de evento, e todos aqui consomem e deixam então, recursos.

Lírio é um louco apaixonado por motociclismo.

Zuun – Hoje em dia você está afastado da política?

Lírio – Sim, estou. Inclusive nesta última eleição, um filho meu concorreu a vereador e ajudamos a eleger o prefeito, que é nosso parceiro, e o vice-prefeito e o governador do Estado, que são do nosso partido, também. Eles repassaram pro carnaval de Joaçaba 1 milhão de reais. E disse: “Se eles não liberarem os 60 mil para nós fazermos evento aqui, eu vou para o rádio e à televisão dizer que o pessoal de Joaçaba é mais bonito que nós... Lá fornecem um milhão e para nós aqui 60 mil não querem dar fornecer!” Mas, vão repassar, já esta resolvido este problema.

Zuun,motorcycles - Dá para sentir que a política corre no seu sangue. Então, podemos sonhar que o presidente dos Cães do Asfalto poderá ser prefeito de São Miguel do Oeste?

Lírio – Olha, “vou dizer uma coisa pra ti”, já tive vontade de ser prefeito, em 1985, quando aqui era área de Segurança Nacional eu concorri a vice-prefeito. Era vereador na época, só que por 20 anos as eleições eram feitas por nomeação por ser área de fronteira, nós não a ganhamos, mas demos um susto no adversário! (risos) Eu sempre fui vereador, sempre participei da política, mas aos poucos estou me afastando, “to” deixando pro meu filho, deixando pro pessoal mais jovem. Mas por trás to sempre dando meu “pitaco”.

Zuun - E se a força popular quiser?

Lírio - Não, não tenho interesse... Até porque, eu ajudei a eleger o governador e o atual prefeito e eles me ofereceram um cargo de secretário, para Desenvolvimento Regional, e eu não quis. É um salário bem convidativo, mas eu não vou deixar de andar de moto, de fazer minhas viagens, de curtir minha vida para estar aí cumprindo horário, já fiz minha parte, estou aposentado, trabalhei 36 anos com carteira assinada e com o que eu ganho, e com meus filhos já encaminhados, dá para viver tranquilo, viajar e curtir a vida.

Zuun – Voltando ao assunto do evento: Quantas pessoas vocês já colocaram aqui neste encontro? Qual foi o número recorde?

Lírio - Eu acho que uns dois anos atrás, em um sábado à noite, depois de uma semana de tempo bom, a polícia (que tem um cálculo por metro quadrado), calculou que tinha mais de 30 mil pessoas.

O Motocão é um encontro de muito sucesso.

Zuun - Foi o recorde então?

Lírio – Foi! Este ano nós pensávamos que íamos bater aquele recorde, não digo infelizmente que não aconteceu o planejado, porque o cara lá de cima sabe o que faz, mas não ocorreu o esperado.  Até temos um fato interessante, sobre a tragédia que ocorreu na Boate Kiss, em Santa Maria... A filha de um amigo nosso - chego até a me arrepiar quando eu falo – estava lá, o pai dela é parceiro nosso do motogrupo e veio aqui. Aquele fato fez com que a própria PM e o Corpo de Bombeiros nos exigissem algumas coisas a mais. Até muita coisa a mais. Mas, como nós queremos que o evento saia com segurança, tudo o que foi pedido nós fizemos.  Só não conseguimos acertar com o cara lá de cima para não deixar chover. O restante a gente sempre procura fazer. Se tu fizer tudo dentro da lei, não precisa te preocupar depois, qualquer incidente que der estará amparado pela justiça. Sem problema algum.

Zuun - E nós notamos que vocês se preocupam com tudo. Ontem vimos o que foi aquela janta! Como isso é organizado?

Lírio – Isso é fruto do que tenho dito: nós viajamos seguido, eu agora não tenho ido muito a encontros, porque eu gosto de fazer viagens maiores. Mas dentro do nosso motogrupo, todo final de semana, onde tem encontros o pessoal vai. Vão uns cinco, onde divulgam o nosso MG e também o evento. Desde que assumimos a diretoria, começamos a fazer uma “jantinha” especial nas sextas-feiras, para as pessoas que vem de longe, para receber bem o turista. Se o recebes bem, ele torna-se o maior divulgador do evento. Começamos ali com 100/150 pessoas e cada vez foi aumentando. Tenho ido a muitos eventos na região toda, que não dão tanta gente como tivemos ontem à noite. A realidade é essa. Temos de agradecer aos nossos patrocinadores e ao poder público, que nos ajuda.

O futuro do evento ainda será decidido.

Zuun - Pra encerrar, podemos esperar um evento em 2014 ou as forças que querem acabar são maiores do que as que querem ficar?

Lírio - Sou um cara muito persistente, vou para onde for para que as coisas aconteçam. Mas isso não depende de mim. É claro que dentro do grupo tenho uma liderança forte, consigo fazer com que as coisas andem ali, mas dependendo do que acontecer. Sou muito amigo do governador, inclusive na empresa que eu trabalhava era a mesma que a dele, na central CELESC (de São Miguel do Oeste). O dia que ele assumiu a presidência dela, em Florianópolis, ele me chamou para eu assumir a direção aqui. Então, eu tenho uma amizade de muito tempo com ele. Eu vou tentar conseguir com ele, depois do Motocão, agendar com o meu deputado para bater um papo com o Governador, se ele me garantir apoio e uma parceria caprichada, nós vamos continuar fazendo esse evento, senão eu vou colocar pro grupo, e eles vão decidir.

Zuun - Tem mais alguma coisa para acrescentar para dizer a este “bando” de apaixonados por motociclismo?

Lírio - Eu só quero dizer o seguinte... Quando eu viajo de carro e passo por um grupo de moto, me arrepio todo e tenho vontade de descer e montar na moto e andar. Porque eu sou um apaixonado! Me aposentei há nove anos e depois disso, eu fiz mais de 100 mil quilômetros em cima de duas rodas. Tenho andado o Brasil todo, a América do Sul toda, eu tenho na minha casa, onde guardo minhas motos, um mapa da América do Sul e onde eu passo eu risco, já tá quase cheio!

Zuun - E essas histórias você está registrando onde?

Lírio - Estou escrevendo tudo no meu notebook! Todas as viagens que fiz, escrevi. Descrevo os pontos turísticos, a economia da região... Onde passo registro tudo que eu acho interessante e com fotos. Depois dos 80, 90 anos, quando tiver que andar de triciclo, vou tirar um tempo maior pra escrever um livro.

Um excelente público compareceu à última edição do Motocão, não fosse a chuva, teria mais!

Confira a galeria de imagens do 15º Motocão

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