18/12/2012 - 15h59 - Atualizado em 18/12/2012 - 16h02

Luís Carlos Brenner e a Valecross: Motociclismo de pai para filho

Sempre conciliando o lado pessoal com o profissional no mundo duas rodas, Luís nos conta como se tornou líder de vendas Honda no RS.

Zuun,motorcycles

Pai de quatro filhos e sócio administrador da Valecross, um dos negócios do Grupo Brenner, Luís se emociona ao contar sua história de vida e o que aprendeu desde cedo com seus pais e irmãos sobre o mundo dos negócios. Um dos aprendizados ele usa como regra: “Valorizar sempre cada cliente”.

Fomos até Lajeado, cidade do interior do Rio Grande do Sul, para conhecer um pouco mais sobre sua trajetória e como se tornou um dos mais fortes e respeitados empresários do setor de motocicletas do Estado e do Brasil (exclusivo Honda), e o que ainda deseja conquistar pessoal e profissionalmente.

Zuun - Como tudo começou?

Luís - O começo desta história tem um nome: Arestides Dorival Brenner, meu pai. Com uma visão apurada nos negócios, e apaixonado por duas rodas, negociava motos como “bico” nas horas que tinha de folga quando funcionário de uma empresa local. Comprava motos da Marca Jawa em Porto Alegre e as vendia aqui em Lajeado/RS. Em 1967, junto com minha mãe, deixaram “de lado” as motocicletas e montaram uma pequena loja de implementos agrícolas para atender agricultores na Barra da Forqueta, na época interior e distrito de Lajeado e em dois anos de trabalhos, foi nomeado representante exclusivo de micro-tratores (tratores com duas rodas) e motores da marca Agrale.

Arestides e sua Jawa. Paixão antiga pelo mundo duas rodas. Foto: Divulgação

Com os negócios em expansão e em pouquíssimo tempo, já estávamos vendendo tratores de pequeno porte (quatro rodas). No ano de 1975, mudamo-nos em definitivo para Lajeado onde está até hoje a A.D. Brenner, uma loja exclusiva para o setor agrícola. Como a paixão por motos nunca se apagou, em 1979, paralelo ao setor agrícola, meu pai voltou a vender motos, das mais variadas marcas (Lambreta, Montesa, entre outras), que em seguida assinou contrato para vender com exclusividade as motocicletas Agrale.

Jawa. Uma das marcas de motocicletas vendidas no começo da empresa. Foto: Divulgação

Zuun - Você era um adolescente nesta época. Qual era a sua função dentro da empresa?

Luís - Comecei a trabalhar com meu pai aos 16 anos de idade, na oficina mecânica da empresa montando e desmontando máquinas agrícolas e também as motocicletas. Foi aí que acendeu de vez a paixão. Andar e testar as motos eram um grande prazer. Junto a isso, fui entrando aos poucos em competições de motocross, isso já aos 18 anos. Participei de vários campeonatos regionais, mas por falta de incentivo e também os negócios da família pulsando, parei de correr aos 23.

Zuun - Como surgiu a Valecross?

Luís - A Valecross já existia em Lajeado e a compramos em 1984. A partir daí, os negócios de motocicleta começaram a passar pela marca Valecross. Nesta época, buscávamos ser uma autorizada Honda. O namoro entre a A.D Brenner e a Honda levou alguns anos até que, em 1985, assinamos contrato e nossa primeira loja Valecross Honda iniciou os serviços em um espaço de 300m². Atualmente, a Valecross está com 15 lojas espalhadas pelo Estado e estamos abrindo a décima sexta no Shopping em Canoas/RS dentro deste mês (dez/2012).

Fachada da Matriz Valecross de Lajeado/RS. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - Tens noção do que representa a marca Velocross em nosso Estado?

Luís - Nós conseguimos avaliar o que representa a nossa Marca Valecross no Estado, pela quantidade de vendas que realizamos, tanto em motocicletas, assim como, peças, acessórios, serviços e consórcios. E, também, pela ótima receptividade que sempre recebemos nas cidades em que nos instalamos. Por isto tudo que conseguimos estruturar a nossa Rede de Lojas Valecross, que tem hoje um percentual expressivo nas vendas de motocicletas e peças Honda no Estado. Estes números nos deixam felizes, mas buscamos aprimorar nossos serviços, orientando diariamente nossas equipes de trabalho, para que tratem cada cliente da melhor forma possível. Nosso pensamento é esse e sempre será: cuidar bem do cliente, pois esta é a essência do Grupo Brenner.

A Valecross conta hoje com 16 lojas espalhadas no Vale do Taquari, Rio Pardo, Serra do Botucaraí, Vale do Caí e Região Metropolitana. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - Como foi sua volta às competições?

Luís - Nunca parei de andar de moto. Logo após minha parada no off-road comprei uma moto de passeio para andar com meus amigos, mas sempre me perguntava porque tinha deixado para trás as competições. Em 2004, por insistência deles, voltei a fazer trilhas, mas confesso, achei que ainda estava com um bom porte físico para poder curtir um off-road e mostrar para essa “gurizada” como se pilotava. Que nada!!! Foi um desastre, não via a hora de voltar para casa de tão cansado (risos). Aos poucos, fui me acostumando e retomando o preparo físico até voltar para os campeonatos.

Montesa 360. A primeira moto pilotada por Luís em competições oficiais. Foto: Divulgação

Zuun - Tens algum título de expressão?

Luís - Fiquei muito tempo parado, mas conquistei sim alguns regionais, participando de vários tipos de competições. E, nos últimos dois anos, o veloterra foi meu chão, terminando 2011 em 4º na categoria Over 35, tudo isso como preparação para 2012. Estava no meu melhor estado físico para competir, treinando duas vezes por semana, de dezembro de 2011 a fevereiro de 2012, quando veio a surpresa: um princípio de infarto, obrigando-me a largar pela segunda vez as competições.

Zuun - Agora, deixar as pistas é em definitivo?

Luís - Não sei. A paixão é maior que tudo. Acredito que um dia poderei retornar, mas tenho que passar por uma grande avaliação. Não quero fazer nada que me prejudique, mas também não quero deixar de lado uma das coisas que me move e me deixa feliz. Recentemente, fizemos uma competição dos “velhinhos” (risos) e acabei conquistando o primeiro lugar.

Luís Carlos Brenner. Sócio administrador da Valecross. Uma das empresas do Grupo Brenner. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - Quais foram seus principais rivais em pista?

Luís - Na minha carreira de piloto, nunca tive rivalidade com ninguém, não saberia citar quais foram os meus rivais, pois não havia esse tipo de coisa. Talvez alguns oponentes diretos, como o “Garça” e o “Mamute”, mas a “coisa” era muito na amizade, éramos muito amigos no esporte e acredito que é assim até hoje. Participava tranquilamente, se ganhava, estava feliz, se o outro ganhava, também.

Alguns dos troféus conquistados por Luís nos campeonatos regionais. Foto: Zuun Motorcycles

Zuun - Falando em pilotos, você nunca pensou em patrocinar ou ter uma equipe?

Luís - Temos como política não nos envolvermos com pilotos. A Valecross nunca patrocinou pilotos, tampouco tem a intenção de montar alguma equipe. Patrocinamos sim competições como é a parceria com o André Produções e Eventos, que dura há mais de 12 anos, e sempre que podemos, fazemos o nosso melhor para ajudar outros eventos.

Zuun - O que está planejando o para futuro da Valecross?

Luís - Continuar nos adequando ao mercado de motocicletas e manter este contato direto com cada cliente. Quero, também, incentivar meus filhos a continuar esta história que foi forjada com muito trabalho. Quero que saibam aproveitar ao máximo algumas lições de vida que seus avós, pais e tios estão deixando de herança, não somente estrutural, mas sim, uma história de caráter, honestidade e amizade entre a Família Valecross e seus clientes.

Familia de Luís Carlos Brenner. Orgulho em poder contar com seus filhos dentro dos negócios da Valecross. Foto: Zuun Motorcycles

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