19/12/2012 - 16h58 - Atualizado em 13/03/2017 - 12h40

Para Robson Portaluppi, concentração e dedicação são sinônimos de resultado

Para este piloto gaúcho, cada volta feita com perfeição é experiência. E quanto maior a dificuldade, melhor o aprendizado.

Zuun,motorcycles

Róbson Portaluppi simpático e educado. Foto: Zuun,motorcycles

Robson Portaluppi é um jovem piloto, de apenas 29 anos, da cidade de Bento Gonçalves (Rio Grande do Sul), que está há oito anos nas pistas. Sua relação com a motovelocidade começou em 2004, devido principalmente ao incentivo que seus amigos lhe deram para seguir o esporte, já que eles se reuniam e participavam de muitos encontros de motos. Sempre se considerou muito “atentado” (como ele mesmo se denomina) na rua, fazendo com que corresse perigo constantemente.

A pista fez com que ele mudasse e se sentisse totalmente seguro e confiante para pilotar nela, mudou também o pensamento errado que seus familiares tinham da motovelocidade, fazendo com que eles admitissem que o autódromo é o lugar certo para correr.

Na final do GP Gaúcho de Motovelocidade, realizada nos dias 17 e 18 de novembro (na cidade de Guaporé/RS), a Zuun, Motorcycles entrevistou o piloto a fim de ficar mais a par da relação dele com as duas rodas.

Zuun,motorcycles – Você começou quando e em qual categoria?

Róbson Portaluppi – Comecei participando das duas últimas etapas do GP Gaúcho de Motovelocidade em 2004, na categoria 125 cc. Na penúltima fiquei em 4º lugar, já na outra em 1º! Em 2005 não teve campeonato gaúcho, então, em 2006, vim treinar na própria 125, porém com uma moto de 1000cc, que usava na rua mesmo. Dei algumas voltas com ela aqui no autódromo de Guaporé e não quis mais saber da outra (risos), peguei gosto total pela moto de maior potência.

Zuun,motorcycles – Os títulos surgiram a partir de qual ano?

Róbson Portaluppi – No próprio ano de 2006! Pois fui campeão da categoria 1000cc, assim como em 2007 também. Mas a surpresa mesmo veio em 2008, quando fui convidado para andar com a marca Honda, junto a isso veio mais um título: fui tricampeão gaúcho (assim como em 2009) e 5º colocado no Campeonato Brasileiro. Não esperava tantos títulos, ainda mais que recém havia começado no esporte.

Zuun,motorcycles – O que aconteceu em 2009?

Róbson Portaluppi – Uma história bem complicada e chata... Fui vice-campeão daqui do Rio Grande do Sul, porém, na realidade eu já estava com o título nas mãos, no sábado, antes da prova oficial de domingo. O piloto Sarlim era meu adversário direto, mas não ia andar, pois estava machucado, mas, no domingo, a prova foi cancelada devido à condição climática (choveu muito) e, não tão somente isso, como também foi anulada. Tínhamos o descarte obrigatório e eu possuía os melhores resultados, pelo regulamento tive que descartar um destes, como o piloto havia caído em uma prova, o descarte dele foi de menos pontos que eu, então além de ser prejudicado e ter comemorado o título antecipadamente, acabei ficando somente com o vice em 2009. Com isso fiquei desmotivado e triste, a ponto de não participar do campeonato em 2010, somente retornei na metade do ano passado, vi que o grid estava bonito e voltei a competir. Neste, participei do campeonato inteiro.

Aos poucos o gaúcho foi largando sua timidez. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles – Notamos que cada piloto tem uma característica própria e única. A sua é de um piloto centrado e fechado, de onde vem isso?

Róbson – Quando comecei em 2004 eu somente me preocupava com a placa do tempo, e este nem sempre dava certo, o resultado não vinha como eu queria. A cada volta então, comecei a comparar e ver o que estava faltando, o que havia de errado para melhorar esse tempo. Daí para frente foi melhorando e eu mesmo fui ficando feliz com os resultados. No meu pensamento acredito que cada volta tem de ser o espelho da outra e saber onde o erro aconteceu. Então eu acho que o pessoal me vê dessa maneira por eu agir assim, por ser concentrado. A Cada volta que baixar o tempo você tem que torná-la difícil, pois há que tirar tudo de todas as voltas, por isso esta consideração, uma volta em cima da outra para extrair tudo que se pode tirar dela.

Zuun,motorcycles – Você tem noção do que criou em torno de si mesmo? Você é respeitado por todos os pilotos hoje em dia como pessoa e profissional!

Róbson – Portaluppi respondeu sem graça e envergonhado: Ouvindo isso me deixa arrepiado e emocionado, é muito bom ouvir isso e saber que realmente é assim. É gratificante, ótimo e inclusive merecido esse sentimento com a minha pessoa. Quando comecei a andar muita gente quis dificultar, quando você não incomoda ninguém todos são amigos, mas quando você começa a evoluir e a dar “problema” para outros na pista, consegue ver quem é amigo e quem não é. Enfrentamos diversas barreiras como piloto. Torço muito pelo esporte, todos tem idades diversas aqui na competição, sou um dos mais velhos, e sempre ajudo a quem precisa. Isso faz com que as pessoas me respeitem, ganhei credibilidade do pessoal dessa maneira, até porque se eu não simpatizo com alguém – por exemplo – nunca vou tentar prejudicar, não é da minha índole. Seria ignorância brigar e fazer então com que o esporte não ande, há que brigar sim para que este seja cada vez melhor, para que cada um busque mais. E essa adversidade justamente dá margem para que todos busquemos mais também.

Róbson em disputa com o piloto Maximiliano Gerardo. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles – Há intenção de dar uma repaginada no GP Gaúcho de Motovelocidade, como você enxerga a competição e a família que há em torno do esporte?

Róbson – Para mim a família da motovelocidade vem crescendo muito, tem muita gente que possui força nesse meio. Mas acho que às vezes discutimos coisas que são muito lógicas e óbvias. O campeonato inclusive tem crescido, são tantos anos que estou na competição que hoje – 17 de novembro de 2012 – fiquei surpreso no brieffing, vi que existe esperança de melhora, de ajuste no campeonato, que é o que buscamos há tempo, pois nós temos um grande espetáculo.

Zuun,motorcycles – Vocês, pilotos, tem opinião formada a respeito do campeonato e inclusive conhecem outros formatos de competições, então, fazendo comparações com estes, o que você mudaria no GP Gaúcho para melhorá-lo?

Róbson – O GP Gaúcho, nos últimos tempos, vem sendo um grande exemplo para muitos campeonatos. Vem revelando pilotos, está bem organizado e o considero muito bom! Já participei de outros campeonatos e passei por “n” situações, por isso acho que o nosso campeonato está bem legal. Um ponto que acredito que tenha sido esquecido é a questão da vistoria. Acredito que isso foi facilitado para muitos pilotos, gostaria que estes pensassem mais para frente e não ficar somente com o GP Gaúcho na cabeça. Se pegarmos nosso regulamento vemos que as regras estão ali, então acho que isso não deveria ser passado em branco. Não é algo que me incomode, só é uma coisa que acredito que deveria ser repensada, não aliviar para alguns, que as normas sejam iguais para todos.

Róbson Portaluppi na final do GP Gaúcho de Motovelocidade. Foto: O Chacal

Zuun,motorcycles – Desses novos pilotos, quem tem um grande futuro pela frente em sua opinião?

Róbson – Tenho dois nomes, sei o que estas duas pessoas estão passando aqui no GP Gaúcho. Um deles é meu próprio irmão– Rafael Portaluppi, que na realidade tem 32 anos e o outro é o Pedro de Moraes Sampaio, de 15 anos. Sei o quanto cada um anda, os dois estão correndo muito, vem se destacando demais. Ambos arriscam e dão o seu melhor, acredito que tenham uma bela carreira esperando por eles!

Zuun,motorcycles – Quais são as suas pretensões para o futuro?

Róbson – Confesso que ando meio acomodado... Estou participando somente do GP Gaúcho.  Antes de qualquer coisa, felizmente ou infelizmente, sou empresário e meu negócio depende muito de mim. É muito difícil sair para treinar como fazia antes, faço porque gosto, mas já teve um Róbson mais agressivo, mais dedicado, mas que hoje em dia precisa conciliar duas coisas que gosta. Ando mais cauteloso, ano que vem pretendo – se tiver mais incentivo financeiro, como patrocínio – competir a nível nacional novamente. Mas preciso medir melhor na balança minha empresa e o esporte para que os dois fluam bem, infelizmente não posso escolher uma coisa e me dedicar totalmente a ela somente.

Piloto comemorando mais um campeonato na carreira. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles – Nós não o vemos como acomodado, e sim como um piloto bastante competitivo e esperamos então que você entre no Brasileiro em breve.

Róbson – Com certeza se eu tiver apoio vou correr o Brasileiro. Estou em busca e batalhando para isso. Se eu tiver que caminhar sozinho igual fiz por muito tempo, torna-se mais complicado assumir um compromisso. Ando há anos e me sinto meio que acomodado, preciso sentir que estou sendo valorizado para que a cara disso mude.

Róbson Portaluppi consagrou-se campeão da Superbike Pro, na etapa final do GP Gaúcho de Motovelocidade, no dia 18 de novembro, na cidade gaúcha de Guaporé. O piloto ficou 14 pontos à frente do segundo colocado, Rogério Gentil Fernandes.

Desde 2004 o piloto gaúcho está no mundo da motovelocidade. Foto: Zuun,motorcycles

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