14/03/2013 - 11h47 - Atualizado em 14/03/2013 - 14h47

Paulo Henrique Della Flora: Presidente da FGM fala sobre o motociclismo gaúcho

Conhecido nacionalmente por "Jabuti", Paulo Della Flora abre seu coração e desabafa sobre a vida pessoal e profissional. Confira!

Zuun,motorcycles

Natural de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, “Jabuti” tem motociclismo no sangue desde que ouviu pela primeira vez o ronco de uma moto passando por ele, isto, com apenas oito anos de idade. A paixão e a pretensão de tornar-se piloto não foram fáceis. Os poucos contatos com a realidade daquele momento e a falta de incentivo abafaram de vez a carreira de piloto. Mas isso não o fez desistir e deixar de estar presente no mundo duas rodas. Pelo contrário. Hoje ele é um das caras mais respeitadas do meio no momento. Abaixo, conheça um pouco mais sobre sua história.

Zuun – Não podemos começar esta entrevista sem antes entender de onde vem este apelido – “Jabuti”- Como ele surgiu?

Jabuti - Coisas da infância escolar. Por ter uma estatura pequena na época, um menino me chamou de jabuti, e ao invés de levar na brincadeira, fiquei muito bravo, chegando até a brigar com ele. Não deu outra, a escola toda passou a me chamar por este apelido, e não teve jeito, pegou. Hoje em dia, tem vezes que esqueço que meu nome é Paulo por estar acostumadíssimo com o apelido jabuti (risos)!

Jabuti fala do seu futuro profissional.

Zuun – Quanto à pilotagem, ficou alguma mágoa por não ter se tornado um piloto multicampeão?

Jabuti – Não. No meu tempo tudo era muito complicado. Motos, peças e equipamentos eram caros e difíceis de encontrar. Conseguir apoio, incentivos ou patrocínios era ainda mais complicado. Em 94, fui campeão gaúcho dando “murro em ponta de faca”, pois competia com caras muito bons e com condições inversas as deles. Era um sacrifício acima do esperado, mas hoje, não me julgo frustrado por causa do meu passado como piloto.

Zuun – Hoje, vemos que está presente em várias competições, trabalhando a formação de seu filho como piloto de motocross. Está dando a ele tudo o que você não teve?

Jabuti – Não tudo. A condição financeira que eu não tive e o total apoio de um pai com certeza ele terá. Mas o principal, e que aprendi ao longo destes anos no esporte, ele terá que conquistar sozinho. Vontade e caráter não se compra, se adquire. Não vou passar por cima de princípios para que ele se torne campeão. Se ele será campeão ou não, isso dependerá exclusivamente da vontade, do empenho e da forma que ele se apresentará como homem e piloto dentro das pistas.

Jabutizinho competindo em Taquaruçu.

Zuun – Seu filho está por ele ou por você?

Jabuti – Por nós dois. Ele está trabalhando para ser um piloto profissional e claro que não adianta só ter vontade, tem que querer, e isso ele tem de sobra.

Zuun  – Como é o seu dia-a-dia como profissional?

Jabuti – Hoje tenho uma empresa relacionada diretamente com o meio esportivo. Produzimos troféus para todos os tipos de esportes, inclusive, temos uma linha especializada só para motociclismo.

Zuun – Como se tornou promotor de eventos?

Jabuti – Já que competir não estaria mais nos meus planos, e querendo muito ficar no meio do motociclismo por pura paixão, comecei a organizar algumas provas na minha cidade (Santa Rosa/RS). Deu certo! Mas notei que precisava me aperfeiçoar e passei a buscar seminários para abrir novos horizontes. Participei de vários a nível estadual e nacional, até o momento em que estive em um evento internacional. Neste seminário, estávamos representando 18 países e foi aí que descobri que o motocross não tem idiomas, e que o motociclismo traz um sentimento de prazer e paixão por estar fazendo o melhor pelo esporte.

Jabuti supervisionando o filho.

Zuun – Para que servem estes seminários?

Jabuti – Os seminários servem para orientação e formação de diretores de provas, estes ministrados pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo). Lembro-me que em um deles, tirei o primeiro lugar, tornando-me o único diretor de prova do Brasil naquele ano. Mesmo sem entender outras línguas e a sorte de ter um professor que falava espanhol, os debates foram contagiantes, podendo, desta forma, interagir naturalmente entre os participantes.

Zuun – E a FGM? Quando se tornou presidente da Federação Gaúcha de Motociclismo?

Jabuti – Virar presidente nunca esteve nos meus planos. Lembro-me que antes disso estava focadíssimo no campeonato brasileiro de Motocross, pela CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), entidade para a qual prestava serviços há um bom tempo, e foi quando surgiu a oportunidade de assumir a FGM. Assumi em 2009 e estou indo para o quarto ano de mandato.

Zuun – Você pretende se reeleger?

Jabuti – No momento, estou trabalhando para entregar a presidência com o motociclismo gaúcho em alta e não pretendo me reeleger.

Zuun – Já pensou em algum nome para substituí-lo?

Jabuti – Também não. Não quero pensar nisso neste momento. Meu foco é fazer e entregar um belo trabalho para o futuro do motociclismo gaúcho.

Zuun - Não é arriscado não pensar num substituto e deixar nas mãos de qualquer pessoa um trabalho que já vem dando frutos?

Jabuti – Pretendo sim ter uma posição. Mas vai ser na hora certa. Sinto que tenho apoio de vários grupos pelo estado, mas quero seguir com um lema que faz parte da minha vida: “eu não planejo ela não. Somente trabalho mais para fazer o melhor possível”. E acredito que isso não seja falta de ambição, até porque quero fazer muita coisa ainda na minha vida e no esporte. Tenho que admitir também que, se alguém que desconheço venha a assumir a FGM e tenha condições de trabalhar e fazer o melhor do que já vem sendo feito, quem ganhará é o esporte. Tudo é possível.

O segundo nome de Della Flora é trabalho!

Zuun – Com outra pessoa assumindo o seu lugar, vais continuar ajudando a desenvolver o motociclismo gaúcho?

Jabuti – Acho que depois de tudo que já fizemos, tenho abertura sim para dialogar sobre motociclismo com quem vier a assumir o cargo. Quero muito continuar ajudando a fomentar o prazer do motociclismo e serei um eterno entusiasta, torcendo sempre pelo melhor de cada um.

Zuun – E a CBM, por que decidiu se afastar da Confederação?

Jabuti – Na época, junto com o compromisso de me dedicar por inteiro à FGM, queria também resgatar minha vida pessoal, que já não estava mais existindo, pois participar de eventos a nível Brasil requer muito empenho e dedicação e muitas, mas muitas viagens pelo Brasil afora. Continuo participando da comissão, mas também penso em “tocar mais” a minha vida e a carreira do meu filho. Então, ainda tenho todo este ano de 2013 para decidir o que fazer.

Zuun – A sua relação com a CBM permanece tranquila?

Jabuti – Sim, minha relação com a CBM é muito tranquila, tenho uma amizade muito boa com a Confederação. Já discordei de algumas coisas que, no meu ponto de vista, estavam erradas, principalmente nos momentos que mais precisava, e ainda, por não ter esta veia política, querer sempre que as coisas andem de maneira saudável.  A CBM para mim significa “nós”, não tem essa coisa de eu faço, eu resolvo, deixando aberto a todos os presidentes das federações o direito e o dever de dar suas contribuições pelo esporte.

Muitos o veem como uma pessoa brava, mas ele não se considera assim.

Zuun – Quais são as maiores dificuldades que você encontrou ao longo do tempo no motociclismo?

Jabuti – Temos algumas dificuldades localizadas, mas quase sempre conseguimos contornar. A maior e mais complicada dificuldade encontrada até hoje é a da mídia aberta. Não temos apoio nenhum dos veículos de comunicação para falar sobre o mundo do motociclismo e este problema não é localizado, ou daqui do Rio Grande, é em todo o País. Falar sobre motos na TV, somente quando é coisa ruim. Mesmo assim, não medimos esforços e lutamos diariamente para fazer com que o esporte e o motociclismo ganhem forças cada vez mais.

Zuun – Como vocês contornam a falta da mídia aberta?

Jabuti – Graças à internet e sites especializados no setor da motocicleta, como é o caso da Zuun, e junto às redes sociais, temos avançado bastante na divulgação dos eventos e na aplicação on-line dos calendários, classificação, fotos e vídeos. Estamos planejando para este ano, passar ao vivo via internet, as provas do Gaúcho de Motocross. Não está nada acertado, mas estamos trabalhando forte para que isto aconteça.

Zuun – Os patrocinadores estão na mesma linha de pensamento que vocês?

Jabuti – Só tenho a agradecer aos patrocinadores que nos acompanham há anos. Quando vamos a campo buscar incentivos para a realização dos eventos o papo rende por serem claras as condições de trabalho e seus valores. Não adianta mostrar projetos milionários junto aos patrocinadores. Aqui os trabalhos funcionam passo a passo, valorizando sempre cada ação tomada. Estou contente!

Jabuti quer pessoas que realmente trabalhem pelo motociclismo.

Zuun – Por que as pessoas do meio tem um certo receio de conversar contigo? É uma autodefesa ou você é um cara durão mesmo?

Jabuti – Muitas pessoas que ainda não me conhecem, e acabam chegando até mim, após me conhecerem de fato, falam sobre isso. Acredito que quando adoto alguma postura dentro da FGM, e até em relação à própria disciplina do campeonato, eu a transmito de uma maneira mais enérgica, mais direta. Confesso que sou um pouco temperamental e se precisar chamar atenção, chamo mesmo, mas não sou mal educado, nem “brabão” como muitas pessoas me veem. Mas é só imagem, pois sou uma pessoa do bem. Este é simplesmente o meu jeito.

Zuun – Como você se considera hoje?

Jabuti – Me considero realizado, eu só tenho a agradecer a Deus. Quero sempre ver minha família feliz e tentar fazer o que já viemos conseguindo: ver as pessoas do motociclismo felizes.

Zuun – Gostaria de acrescentar alguma coisa?

Jabuti - Quero agradecer e dizer que a vida é bela, essas “coisas” de dificuldades não existem, façam todos o bem e os resultados vem!

Comentários,

Comentar matéria

Não houve comentários sobre este assunto.

West Coast - 306x100

notícias,26 Mai