16/12/2012 - 18h00

Por exigir muito de si mesmo, o resultado veio para Rafael Bertagnolli

Seu jeito concentrado é digno de ser admirado e seguido. Ele competiu com muito foco e assim conquistou o que um piloto mais deseja na carreira.

Zuun,motorcycles

Rafael Bertagnoli começou este ano na motovelocidade. Sua concentração no grid de largada, na primeira vez que o vimos, disse-nos muito, principalmente que ele não estava ali para brincadeira, mas sim para dar o máximo de si nas competições. Fechava os olhos como se pedisse ao céu sorte, calma e ajuda para conseguir o que tanto almejava: vencer. E, com muita dedicação e talento, ele conseguiu.

Entrevistamos o piloto de 33 anos, residente em Santa Maria (cidade do interior do Rio Grande do Sul) na final do GP Gaúcho de Motovelocidade, onde nos contou como chegou ao título da categoria Fórmula Turismo Sport - 600 cc - e também quais são as suas pretensões.

Concentração é o seu ponto forte e chama a atenção. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles – Conte-nos como se deu o início da sua carreira.

Rafael Bertagnolli – Antes de participar nas pistas da motovelocidade, comecei em 1996 como piloto off-road, competindo no veloterra, e os títulos foram surgindo no período que participei, conquistando o gaúcho e brasileiro da categoria. A transição do off-road para as pistas se deu quando resolvi comprar uma moto de grande cilindrada para passear com amigos nas horas de folga e a convite, fui participar de umas provas em pistas e sem mexer na originalidade da moto comecei a virar tempo em cima de tempo. Confesso que gostei de cara! Era uma adrenalina totalmente diferente do off-road.

Zuun,motorcycles – E participar efetivamente em competições, quando foi seu start na motovelocidade?

Rafael Bertagnolli – Foi na segunda etapa do Summer Racing no autódromo de Guaporé/RS deste ano (2012), copa realizada como preliminar do GP Gaúcho de Motovelocidade.  Nesta prova andei com a uma 600cc no meio das 1000cc e cheguei à segunda posição. Foi então que resolvi me inscrever no campeonato gaúcho e no brasileiro. Tive uma sequência de vitórias, assim como também bastantes problemas: levei tombos e quebrei a moto, mas isso fez parte da minha evolução. Finalizo 2012 com meu primeiro título (gaúcho) no mundo profissional da motovelocidade e foi uma grata surpresa para mim e para todos que me acompanham subir no degrau mais alto do pódio e por inverter as situações aonde treinar foi estar nas pistas e correr, tudo ao mesmo tempo. Ainda foi possível agregar patrocínios, o que é meio complicado quando se está começando, mas acreditaram na proposta de trabalho e graças a Deus deu tudo certo.

Zuun,motorcycles – Qual o motivo de tanto resultado?

Rafael Bertagnolli – Me dedico muito a que me proponho e entrei focadíssimo na motovelocidade, levando o esporte e os competidores muito a sério. A união com os patrocinadores que acreditaram em mim no início e o participação efetiva do “Bolinha”, meu técnico e preparador de motos, que desde o início esteve ao meu lado, fizeram com que eu pegasse atalhos que são muito difíceis de se conseguir rapidamente na motovelocidade. Estamos aprendendo e evoluindo juntos. Devo muito a eles.

Zuun,motorcycles – Como você lidou com o fator psicológico?

Rafael – Como mencionei anteriormente, cobro-me muito. Como levo “a coisa” muito a sério tive que dar uma “freada”, pensei “para aí, vamos mais com calma”, levar como levava no início, como um hobbie e não deixar a cobrança me afetar. Isso me atrapalhou em duas etapas, porém para esta vim bem tranquilo, com o intuito de participar, treinar e acertar a moto, no fim deu tudo certo.

Zuun,motorcycles – Você enfrentou alguma dificuldade até agora? Algo que te fizesse desistir?

Rafael – A minha maior dificuldade foi que acreditei em algumas pessoas e depositei confiança nelas, acabei me complicando por isso e infelizmente afetou-me, mas é aprendizado. Faz parte, porém, tem que abrir os olhos e conhecer mais as pessoas antes de tomar certas atitudes.

Rafael Bertagnolli tem tudo para ter um futuro brilhante. Foto: O Chacal

Zuun,motorcycles – O que fez você não acreditar nelas depois?

 

Rafael – O resultado. Nesta última etapa que corri em Cascavel tive muitos problemas, acreditei em algumas coisas, investi bastante, e no fim não deu certo. Perdi a corrida, fiquei em 5º lugar e ocorreram uma sucessão de problemas, e isso me fez abrir os olhos para mudar muita coisa do que fiz no início do ano, em relação à moto e comigo mesmo, para poder voltar a andar bem de novo, e deu certo. Cheguei aqui com outra cabeça, com a moto totalmente diferente e o resultado veio.

Zuun,motorcycles – E como foi a aceitação da sua família em relação ao esporte?

Rafael – Sem a minha família eu não estaria aqui. Eles vêm em todas as etapas, gostam muito de estar presente. Se tivesse algum empecilho desta parte, repito, eu não estaria aqui!

Simpatia, humildade e educação, pontos fortes do piloto. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles – O off-road foi somente uma fase ou você pretende voltar à modalidade?

Rafael – Não te digo que não volto, mas voltar com todo o entusiasmo que tenho na motovelocidade, no off-road, com certeza não. Talvez algumas etapas no futuro, pois ainda tenho a moto e equipamentos guardados, mas no momento minha cabeça está voltada 100% na motovelocidade.

Zuun,motorcycles – Qual a diferença para você entre off-road e motovelocidade?

Rafael – O ambiente é muito diferente, e claro, a velocidade. Porém, eu consegui trazer muita técnica do off-road para a pista, consegui agregar frenagem e derrapagem, são duas  técnicas que sei fazer com uma certa facilidade, ajudou-me bastante.

Seu olhar transmite segurança e confiança. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles – O que você planeja para seu futuro?

Rafael – Na realidade, dependo muito do título do Campeonato Brasileiro e a final será dia 16 de dezembro em Curitiba. São duas etapas vinculadas e o meu futuro vai depender disso. Não será fácil, a pista não me favorece, mas vamos contar com o que aprendi ao longo do ano e com a sorte que todo o campeão precisa ter. Acredito muito que tudo dará certo!

 

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