01/06/2013 - 07h51 - Atualizado em 04/06/2013 - 09h12

Por trás de um belo sorriso, existe uma pessoa forte e decidida

Pilotar para alguns pode até parecer fácil, mas as dificuldades existem, e somente amor ao esporte não basta, há de ter talento também.

Zuun,motorcycles

Imagine uma pessoa esforçada, persistente, que corre de igual pra igual e joga limpo. Alguém que não tem medo do perigo que a motovelocidade pode trazer, tampouco de quedas e arranhões no braço. Mulher é sexo frágil? O que é fragilidade para você? Muito mais que maquiagem, unhas compridas, anéis e colares, por trás disso existe não tão somente uma mulher, mas também uma competidora à altura de qualquer homem. Falamos de Ilaine Ceratti, piloto de uma moto 1000 cc, com 35 anos de idade, e uma bela carreira pela frente.

Confira a entrevista que fizemos com ela!

Zuun,motorcycles – Conte-nos como tudo começou. De onde veio essa vontade por motovelocidade?

Ilaine Ceratti – Eu ando de moto na estrada há 14 anos já. Eu sempre gostei muito, ela sempre foi minha paixão. Então era aquela coisa, todos os finais de semana eu ia para a estrada, ou em grupo, ou sozinha. Na verdade eu acho que onde eu mais consegui aprender foi quando andei com motoclube, porque eles eram “meio doidos” e eu tentava sempre a acompanhar, acho que a minha moto era a mais velha de todas que haviam no grupo. Hoje eu não faria o que fiz na época, era coisa de “kamikaze”. Então eu acho que por isso eu tenho essa ousadia a mais hoje.

Zuun,motorcycles – Como você se vê no motociclismo ao redor dos homens? Além do aprendizado o que mais você tira proveito?

Ilaine Ceratti – Para mim, além do aprendizado, é uma escola. Eu me vejo de igual para igual, não tem aquela coisa de“sou mulher e tenho que ser tratada diferente”, não! Até porque na pista eles não querem nem saber quem está correndo (risos), é bem de igual pra igual mesmo, não existe diferença. O respeito é um só, sou respeitada como qualquer piloto, e isso é recíproco. Na verdade eu temia que não tivesse isso, que eu chegasse ao autódromo e ouvisse “o que essa mulher quer aqui?” (risos) e eu percebi que não houve isso, teve sim respeito mútuo. Eu me sinto bem acolhida. A partir do momento em que existe respeito entre todos as coisas podem dar certo.

Concentrada e muito técnica, Ilaine dá show na pista. Foto: O Chacal

Zuun,motorcycles – Todos percebemos sua capacidade de correr de igual pra igual, como você consegue chegar ao nível masculino, ou seja, qual o preparo?

Simpática e atenciosa. Foto: Zuun,motorcycles

Ilaine Ceratti – Estou com a moto toda original, então, querendo ou não, sinto um pouco de dificuldade, sinto o peso da moto. Este ano estou dando tudo de mim mesmo, e nos próximos não será diferente, mas a minha evolução do início até agora (comecei treinamentos em julho) surpreendeu a mim mesma, mas eu tento cuidar ao máximo da minha moto, que é original, ela é de passeio. Depois desta corrida ela vai voltar para a rua, continuará sendo minha moto do final de semana...

Para o ano que vem acredito que será mais ainda de igual pra igual, pois se eu voltar para as pistas (se eu participar do GP Gaúcho) vai ser com moto preparada e mais leve, para andar mais rápido.

Zuun,motorcycles – Falando então do futuro, o que você almeja para a sua carreira?

Ilaine – Almejo conseguir fechar com patrocinadores no próximo ano, para participar novamente do GP Gaúcho, desta vez o campeonato inteiro.

Zuun,motorcycles – E mais além, o que você vê profissionalmente?

Ilaine – Mais além seria a nível nacional. Claro que eu gostaria, mas vejo que o motociclismo aqui no Brasil é complicado, pois para ser um “ganha pão” é difícil. Eu tenho o meu trabalho, sou gerente financeiro, então eu não posso largar isso por dois anos para “de repente” competir a nível nacional. Querendo ou não meu emprego é o que paga minha moto e me sustenta. Se for para competir nacionalmente será uma ou outra corrida. Competir em Moto 1000GP ou algo assim a princípio não está nos meus planos.

Zuun,motorcycles – E a sua família, você sempre recebeu apoio de todos os seus familiares?

Ilaine – Sim. Meus pais não vem ao autódromo por medo de terem um ataque do coração (risos). Eu já “tive um tombo” na estrada, estava em alta velocidade, caí em uma curva e detonei a minha moto, quando cheguei em casa somente com o capacete na mão, e ainda mais de carona com a Polícia Rodoviária Federal,  falei para a minha mãe “levei um tombo”, e ela “tá!”. Eles não tem noção do que é corrida. Então eu nem insisto para que eles venham, por que a preocupação deles aumentaria.

Zuun,motorcycles – Voltando ao assunto anterior, temos a visão de como é você entre os homens, mas como é o motociclismo entre as próprias mulheres?

Ilaine – Me dou bem com várias mulheres que andam de moto, mas, por incrível que pareça, me dou melhor com as de fora da região, infelizmente. Poucas são as que convivo bem aqui: Luana, Regiane e Helencris são as que posso contar.
Por correr com os homens simplesmente fui vetada de andar na categoria feminina meses atrás. Eu queria que a rivalidade existisse somente dentro das pistas, mas não é assim.

O namorado de Ilaine é quem cuida de sua moto e faz o possível para tudo dar certo. Foto: Zuun,motorcycles

Zuun,motorcycles– O que lhe faz seguir em frente diante desses empecílhos?

Ilaine – A paixão por andar de moto. Me identifiquei muito em correr nas pistas. Me surpreendi muito com o meu potencial e isso é mais uma motivação, além do incentivo dos pilotos. Já cansei de sair da corrida e eles me dizerem “olha, eu vi que em determinado ponto da pista ‘tu’ poderias fazer diferente”, eles vem espontaneamente me dar dicas para eu melhorar. Isso me deixa muito feliz. E mesmo estando juntos competindo dentro da pista, eles torcem por mim. Há a rivalidade na corrida, mas também eles tentam ajudar. Isso me motiva. Se eu não tivesse sido bem recebida eu iria recuar.
Agradeço aos meus patrocinadores e também a vocês, que ajudam a incentivar o GP Gaúcho.

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