09/05/2013 - 06h39

Um dos melhores pilotos da Espanha contou sobre sua carreira: Carlos Campano

Respeitado no Brasil, o piloto tem carinho do público brasileiro e quer vencer novamente aqui.

Zuun,motorcycles

Carlos Campano esbanja técnica e habilidade em qualquer pista que passa. Experiente, o piloto começou a correr desde pequeninho, quando tinha apenas quatro anos. Além disso, é detentor de vários títulos; desde novo já coleciona troféus, de Campeonato Espanhol, na categoria 60 cc, a Campeão Mundial pela MX3.

Não se contentando em conquistar o seu país e até mesmo o mundo, ele foi Campeão Brasileiro da MX1, da Superliga Brasil de Motocross e vice no Arena Cross. Adquirindo assim, um intenso carinho pelo público brasileiro e vice-versa. Percebemos isso ao vê-lo na primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Motocross 2013, onde todos sabiam quem é Carlos Campano e até mesmo vibravam com ele na pista.

Admirável por sua persistência e coragem, não possui mais títulos do que já tem devido a muitas lesões sofridas durante a sua carreira, reflexo de ser um competidor forte. Tímido e receoso, porém extremamente simpático, concedeu-nos uma entrevista em meio a barro e mecânicos, no dia dos treinos, sábado. Entenda um pouco mais sobre Carlos Campano, o famoso #115:

Zuun - Sabemos que você começou a competir cedo, com quatro anos. Como surgiu essa oportunidade?

Carlos Campano – Meu pai corria, mas como amador e, quando fiz meu aniversário de quatro anos, ele me presenteou com uma moto, que eu usava na brincadeira, mas gostava muito de andar. Desde pequeno gosto de moto, pois sempre ia com ele ver as corridas de Motocross.

Zuun – E com nove anos você já teve seu primeiro título, como foi encarar isso tão pequeno?

Carlos Campano – Foi ótimo, porque foi o primeiro ano oficial de competição! Na realidade, comecei com sete anos, mas me lesionei e só voltei dois anos depois. Fiquei muito feliz, porque desde sempre gosto muito de treinar e sou muito competitivo, e ganhar é consequência desse trabalho todo.

Zuun – Você foi campeão também do Mundial de MX3. Como funcionam esses treinamentos que você faz e que dão tanto resultado?

Campano – São treinos duros, pois o piloto tem que trabalhar muito, tanto o físico quanto a própria moto, tem que ter uma boa equipe também. São anos de preparação e cuidando das lesões, assim consegui ganhar esse título em 2010. Foi o melhor momento até agora da minha carreira.

Zuun – Quantas vezes por semana você treina?

Campano - Depende muito do campeonato. Normalmente durante o inverno na pré-temporada, na Espanha. Aqui ela acontece no verão, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, treino muito, nos cinco dias da semana, também vou todos os dias à academia e ando de bicicleta. Trabalhamos muito, mas quando os campeonatos começam, não temos muito tempo entre as etapas, no máximo umas duas vezes, mas então recorro à academia mesmo. Os dois, três, meses que antecedem as competições são de treinamentos intensos.

Zuun – E qual vem sendo a preparação para o Campeonato Brasileiro de Motocross, ainda mais que você veio de lesão?

Campano – Sim, quebrei a tíbia em dezembro do ano passado, fiquei três meses tratando isso. Não estou preparado para essa etapa de abertura, mas tudo bem, estou tranquilo porque a próxima etapa é daqui um mês e acredito que estarei um pouco mais preparado e competindo mais forte.

Zuun – E nos treinos de hoje, como foi?

Campano – Me saí bem, fiquei em segundo lugar, espero repetir esse feito na corrida, apesar de que esta é bem diferente do que um treino... Mas gostei e tive somente um pouco de dor, aos poucos, vou voltando ao meu normal.

Zuun – Existe algum ponto que você vê que precisa melhorar como piloto?

Campano – Sim!! Agora mesmo preciso melhorar em tudo (risos), não estou suficientemente preparado para aguentar trinta minutos correndo rápido, canso facilmente e muito. Então isso faz com que a minha confiança em mim mesmo diminua, porque não andei muito nesses meses e preciso de muitas horas de moto para voltar a me sentir confiante. E ainda não tivemos tempo de aperfeiçoar a moto, que está como no ano passado ainda. Mas, para a próxima etapa, vamos conseguir mudar isso.

Zuun – Por que a escolha de vir competir aqui no Brasil?

Campano – Vim correr o Mundial de MX aqui em 2009 e 2011 e a Yamaha me deu um apoio muito bom e uma boa estrutura para eu vir competir, porque, sem esse suporte, eu não poderia viajar para tão longe. Fiz corridas muito satisfatórias e fiquei muito feliz, então, me ofereceram correr o ano de 2012 aqui no Brasil, foi uma boa proposta. O Motocross na Espanha está muito fraco agora, não há nenhum campeonato bom.

Zuun – O Motocross, em geral, não está bom no seu país ou apenas nesta temporada?

Campano – Antes era uma modalidade forte, mas faz dois/três anos que decaiu muito de nível, tem poucos pilotos, a crise na Europa afetou muito ao Motocross. E, tanto o mundial quanto o campeonato da Espanha, não estão bem.

Zuun – E como você vê o Motocross aqui no Brasil em relação à Espanha?

Campano – Acredito que melhorou muito a partir do ano passado, tanto por parte da organização quanto pelas equipes. No início de 2012, os pilotos não estavam bem preparados, mas no fim, deu para notar a diferença nos brasileiros que se mostram muito mais prontos e acredito que seja por nós (os estrangeiros) termos chegado para concorrer.

Zuun – Como você enfrenta o fato de ser um dos melhores pilotos da Espanha?

Campano – Para mim é motivo de orgulho, ganhei o Campeonato de MX1 e MX2 no meu país e depois o Mundial de MX3, ano passado ganhei aqui e isso tudo me deixa extremamente feliz. Tento não me lesionar e aproveitar as corridas ao máximo, pois é o que me faz ficar contente.

Zuun – O carinho do público brasileiro contigo é muito forte. Qual a sensação de ser tão querido por ele?

Campano – Me surpreendeu muito isso, porque venho de fora e para competir com os pilotos daqui, mas os brasileiros me apoiaram desde o início, sem discriminar por ser de outro país, me sinto muito lisonjeado, me anima... Esse carinho é muito importante para mim. No ano passado, ganhei as duas baterias da MX1 e o público estava feliz, fiquei tranquilo com a receptividade e, neste ano, confesso ter ficado com um pouco de medo ao chegar aqui, mas o carinho continuou.

Zuun – E por parte dos pilotos foi diferente?

Campano – Não, não, sempre fui bem recebido. Estamos todos lutando pela vitória nas pistas, fora delas é tudo normal.

Zuun – Falando em pista, qual é a que você mais se identifica aqui no Brasil?

Campano – Sinceramente, no ano passado, a que mais me agradou foi esta de Carlos Barbosa, mas também gostei muito da de Aracaju/SE, pois era na praia: metade do circuito de areia e a outra metade de Motocross mesmo, além da grande quantidade de público. Normalmente as pistas dos brasileiros são boas.

Zuun – Sua família viaja com você ou vem sozinho?

Campano – Costumo vir com a minha noiva, no ano passado veio meu irmão em algumas corridas e acredito que ele venha neste ano em alguma etapa. Espero que meus pais possam vir também, já que em 2012 não conseguiram.

Zuun – Quais os seus objetivos para 2013?

Campano – Este ano tenho somente o Brasileiro e o Arena Cross, então, tentarei vencer o do Brasil novamente e melhorar no Arena, pois, em 2012, eu estava em segundo lugar e me lesionei, não conseguindo ganhar. Tentarei também não me lesionar e vencer o máximo de corridas possível. Temos muito a melhorar ainda, mas pouco a pouco vamos revertendo isso.

Campano ficou em 3º na soma total das duas baterias.

Comentários,

Comentar matéria

Não houve comentários sobre este assunto.