27/10/2014 - 12h10 - Atualizado em 27/10/2014 - 12h11

Teste: Thruxton é café racer customizada de fábrica

Triumph Thruxton é uma réplica moderna das café racers dos anos 1950 e 1960

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Com a mesma base mecânica da Bonneville, modelo já vem com adaptações que remetem às motos de corrida de rua dos anos 1960

A pequena bolha acima do farol oferece boa proteção aerodinâmica - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

A pequena carenagem que envolve o farol, os guidões curvados para baixo, as pedaleiras recuadas e o ronco compassado do motor bicilíndrico não deixam dúvidas: a Triumph Thruxton é uma réplica moderna das café racers dos anos 1950 e 1960.

A pedaleira recuada reforça a esportividade da Thruxton - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

As motos de rua transformadas para rasgar os anéis viários de Londres em alta velocidade em um misto de improvisação e rebeldia da juventude daquela época.

A Thruxton é mais estável do que a Bonneville em velocidades mais altas - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

O grande mérito da Thruxton é ser praticamente isso: uma Bonneville modificada para ter mais estabilidade em alta velocidade com um visual semelhante ao que era feito antigamente. A diferença é que nesse caso a transformação vem de fábrica e custa R$ 32.490 – mil reais a mais que a Bonneville T 100 com visual mais comportado.

O visual clássico da Triumph Thuxton é herdado das café racers das décadas de 1950 e 60 - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Além da pequena carenagem do farol e do guidão curvado – simulando dois semi-guidões -, a Thruxton tem ainda as duas ponteiras de escapamento cromadas e apontadas para cima.

Os escapes levemente inclinados para cima tem estilo clássico e, ainda assim, esportivo - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

A capa de banco que a transforma em uma monoposto reforça seu caráter de moto “preparada” para correr.

Suporte de placa, piscas e lanterna formam uma única peça no melhor estilo retrô - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Na prática

Embora as principais diferenças entre as duas “clássicas modernas” da Triumph sejam visuais, hoje, assim como antes, acabam influenciando no comportamento dinâmico da motocicleta.

A Thruxton traz o mesmo motor bicilíndrico de 865 cm³ que equipa a Bonneville - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

A começar pelo motor de dois cilindros paralelos, 865 cm³, oito válvulas e duplo comando de válvulas. O mesmo que equipa a Boneville, mas na Thruxton este propulsor teve o desempenho aprimorado e a potência foi ampliada para 69 cavalos de potência (contra 68 cv).

O propulsor da Thruxton gera potência máxima de 69 cv a 7.400 rpm - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Ganho adquirido graças ao perfil revisado do comando de válvulas e do uso de pistões de alta compressão. Mudança que não chega a ser tão perceptível como a posição de pilotagem distinta.

Na roda dianteira, a Thruxton tem um disco de 320mm de diâmetro, mordido por pinça de dois pistões - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

O guidão curvado e a posição das pedaleiras mais para trás fazem com que o piloto, naturalmente, coloque mais peso sobre o trem dianteiro. Na teoria, e também provei na prática, isso proporciona mais estabilidade em altas velocidades e um melhor posicionamento para contornar curvas – comparando-se à clássica Bonneville.

Por conta da posição de pilotagem, os joelhos do condutor raspam nas laterais dos cilindros - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Com isso também vem alguns incômodos, como os joelhos que ficam mais dobrados e insistem em raspar nas laterais dos cilindros – tanto que a Triumph instalou de forma quase artesanal dois “arames” para evitar queimaduras, como se fazia naquela época.

Os cilindros contam com protetores laterais em forma de arame para os joelhos do piloto - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Mas a grande perda mesma é no quesito maneabilidade, já que o guidão mais estreito e curvado dificulta manobra em baixas velocidades e o trânsito na cidade.

A Thruxton tem maneabilidade reduzida em trechos mais urbanos - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Os espelhos retrovisores na ponta do guidão dão um charme especial ao modelo, mas exigem cuidado ao trafegar no corredor entre os carros, já que a largura aumenta.

Refinados, os espelhos retrovisores ficam nas pontas do guidão - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

No restante, as mudanças visuais não influenciam muito no modo de conduzir a Thruxton.

Velocímetro e conta-giros analógicos são características do apelo clássico da Thruxton - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

O fundo dos dois mostradores redondos do painel é branco, a capa sobre o banco da garupa pode ser retirada e a pequena bolha até oferece boa proteção aerodinâmica na estrada e na velocidade que o modelo atinge, cerca de 180 km/h.

A capa que cobre a garupa reforça seu caráter de moto “preparada” para correr - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Estilo de sobra

Sem dúvida mais charmosa para muitos, a Triumph Thruxton, entretanto, é menos prática que sua irmã Bonneville.

Com estilo de sobra, a Triumph Thuxton chama a atenção por onde passa - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

O reduzido ângulo de esterço proporcionado pelo guidão curvado incomoda na cidade e sua posição de pilotagem mais “esportiva” cansa mais na estrada. Portanto, se você quer uma moto com visual clássico para o dia-a-dia, opte pela Bonnie.

Mas a beleza e charme também têm seus encantos e nem todo mundo quer uma moto prática. Se a ideia for desfilar por aí nos finais de semana, o visual café racer chama a atenção a Triumph fez um belo trabalho de customização de fábrica na Thruxton.

Box

Moda retrô

As motos retrô são uma tendência que veio para ficar. No Salão de Motos de Colônia, o Intermot, realizado entre 1 e 5 de outubro na Alemanha, Ducati e Yamaha mostraram novidades que buscavam inspiração em motos do passado para conquistar o consumidor atual. Honda, BMW e Kawasaki já oferecem em seu line-up modelos que remetem ou homenageiam épocas antigas do motociclismo. Mas de certa forma, a Triumph é uma das pioneiras a adotar essa receita.

Em 2000, com o renascimento da Bonneville, ícone entre as motos inglesas dos anos 1960, a marca conseguiu vender um modelo de entrada que carrega seus valores como marca histórica e ainda tem uma legião de fãs no mundo todo. Sem toda uma parafernália eletrônica, as “clássicas modernas” da marca inglesa têm injeção eletrônica, desempenho agradável e preço acessível – são os modelos mais baratos do line-up -, e resgatam o charme da essência do motociclismo.

No Brasil, nessa mesma linha a BMW lançou recentemente a NineT, de 1.200 cc e freios ABS, que presta homenagem aos 90 anos das motos da marca alemã pelo salgado preço de R$ 61.500. A Scrambler, mostrada pela Ducati na Alemanha, revive um ícone da marca nos anos 1960 em quatro versões já personalizadas de fábrica, como a Thruxton. Os modelos Scrambler com motor de dois cilindros e 796 cc deve chegar ao país somente no segundo semestre de 2015.

Montada no Brasil, a café racer da Triumph tem preço sugerido de R$ 32.490,00 - Mario Villaescusa / Agência INFOMOTO

Ficha Técnica

Triumph Thruxton
Motor DOHC, bicilíndrico paralelo, quatro tempos, arrefecido a ar
Capacidade cúbica 865 cm³
Potência máxima (declarada) 69 cv a 7.400 rpm
Torque máximo (declarado) 6,8 kgf.m a 5.800 rpm
Câmbio Cinco marchas
Transmissão final corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida Elétrica
Quadro Berço de aço tubular
Suspensão dianteira Garfos telescópicos Kayaba com 120 mm de curso e regulagem de carga
Suspensão traseira Duplo amortecedor com molas Kayaba com 106 mm de curso e ajuste da pré-carga de mola
Freio dianteiro Disco simples de 320 mm de diâmetro, pinça flutuante de dois pistões
Freio traseiro Disco simples de 255 mm de diâmetro, pinça flutuante de dois pistões
Pneus 100/90-18 / 130/80-17
Comprimento 2.150 mm
Largura 830 mm
Altura 1.095 mm
Distância entre-eixos 1.500 mm
Altura do assento 820 mm
Peso em ordem de marcha 230 kg
Peso a seco Não Disponível
Tanque de combustível 16 litros
Cores Verde ou Preta
Preço sugerido R$ 32.490,00

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